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Resistência à Higienização dos Centros Urbanos

por Deia de Britto/Globalrec.org — publicado 29/06/2012 15h12, última modificação 29/06/2012 15h12
MNPR debateu na tenda dos catadores na Cúpula dos Povos

Num painel organizado pelo Movimento Nacional dos Catadores (MNCR), pessoas de vários movimentos sociais e organizações discutiram as remoções de comunidades, camelôs, populações de rua, e catadores que tem acontecido com mais frequência com a acelerada do desenvolvimento e a vinda dos mega-eventos. O painel era chamado “Resistência à Higienização de Centros Urbanos.”

Maíra Vannuchi, representante de StreetNet, falou sobre um projeto de mapeamento de camelôs. Ela fez a conexão entre os camelôs e os catadores. “Para StreetNet, o movimento nacional dos catadores é uma grande inspiração. Cada vez que eu converso com os camelôs, eu falo sobre os catadores.” Camelôs e catadores enfrentam a ameaça da higienização.

Tank Menezes, do Movimento Nacional dos Catadores, deu um exemplo da sua cidade. Em Porto Alegre, 800 famílias moravam no centro e trabalhavam na catação. Eram quase 2.000 pessoas em total. “Falam de como as casas são bonitas, mas agora não tem trabalho,” ele disse. “A casa não trouxe dignidade nenhuma porque tiraram eles do trabalho deles.”

Maira Vannuchi de StreetNet continuou o análise. “É uma repressão violentíssima e sem negociação. Não sentam com os movimentos. Pra fazer a Copa, tem que passar em cima de favela. Estamos aqui com o pessoal do movimento de rua. Igual em  São Paulo, na Cracolândia, tiraram as pessoas. É o mesmo problema que os camelôs tem encontrado. Nesse processo de limpeza urbana, todo mundo é prejudicado imensamente. Se aqui tem uma favela, eles não pensam em um outro lugar pra construir a rua. Eles tem que construir exatamente onde fica a favela, para excluir, remover.” A mesma coisa aconteceu na África do Sul e na Índia, durante os Commonwealth Games, ela continou.

“Essa perspectiva global é importante de saber. Pode trazer alternativas e força para lutar,” disse Seu Carlos. ”Hoje muitos se debatem a necessidade de reforma urbana. Nao basta so falar do tema que nos nao participarmos do processo de encontrar uma solução.”

“A gente está sendo tratado como se fosse lixo,” disse Maria do Carmo Santos, do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). “A gente não tem saúde, não tem educação, camelô sofre na rua com choque de ordem.”

Ela continuou, “A gente só pode vir para a cidade para lavar calcinha de madame. A gente não tem lugar na cidade!”

“Uma das maneiras de crescer a cidade é requalificar. E requalificar é tirar os companheiros. As leis são usadas por ocasião,” um advogado que estava participando do event, disse. “É triste. A higienização human vai contra a humanidade.”

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