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Famílias de catadores do Glicério são despejadas

por mncr — publicado 28/07/2008 17h00, última modificação 09/02/2012 11h22
Acordo com a Prefeitura foi descumprido, várias famílias estão na rua
Famílias de catadores do Glicério são despejadas

Cerca de 100 pessoas, entre mulhres e crianças foram para a rua

Um grupo de 27 famílias de catadores que ocupavam um prédio público abandonado na região do Glicério, centro de São Paulo, foi despejado na manhã da ultima sexta-feira pela Subprefeitura da Sé e pela Guarda Civil Metropolitana. Os catadores foram acordados às 6:30h da manhã pelos funcionário da Prefeitura Daniel Salati Marcondes, Coordenador de Planejamento Urbano, e Joceli Adair da Silva, coordenador de projetos,  que invadiram o local e de forma truculenta ordenaram a saída das famílias.

“Acordei com o Daniel Saladi e Joceli chutando as portas e quebrando tudo. Os funcionários da Prefeitura já vieram com pés de cabra e começaram a arrombar as portas e tirar as coisas” relatou a catadora Alexandra que tem três filhos pequenos. As famílias informaram que pertences foram quebrados por esses dois funcionários que coorrdenaram a ação.

Os moveis dos catadores foram arremessados pelas janelas do prédio em cima dos caminhões, os pertences amontoados e misturados em vários locais. Apesar do transporte da Prefeitura, várias famílias não tinham para onde levar seus pertences.

Por volta das 8 horas começou a chegar a impressa e apoiadores, o que intimidou a ação truculenta da GCM, houve a tentativa de impedir o acesso de jornalistas ao local. Dezenas de famílias se negavam sair até que fosse oferecida uma alternativa. Dois catadores militantes do Movimento Nacional dos Catadores (MNCR) foram detidos e encaminhados ao 1º DP onde foram liberados por volta das 12 horas.

Por volta das 11 horas o prédio já estava completamente desocupado, mas as famílias recusavam-se em deixar o terreno. Viaturas da policia militar começaram a chegar e havia um clima de tensão. Sem respostas e visivelmente desorientados, os funcionários da Prefeitura anunciaram uma falsa reunião na Secretaria de Assistência Social. As 27 famílias tiveram de aguardar o resto da tarde até serem atendidas para ouvir apenas “Não temos o que fazer” da coordenadora de assistência social. Foram oferecidas vagas em albergues por 3 dias, as famílias recusaram. “Não queremos cestas básicas e albergues, queremos moradia” declara indignada Alexandra.

As famílias tinham um prazo até dia 28 para deixar o local, um acordo firmado em reunião com o Subprefeito Amauri Luiz Pastorello. Os catadores denunciam que tentaram diversas vezes marcar reuniões com o subprefeito para resolver o problema de moradia das famílias, mas não foram atendidos.

O prédio ocupado, apelidado na região como esqueleto, é uma obra inacabada e em ruínas da Prefeitura de São Paulo. Já foi desocupada dezenas de vezes, mas continua ociosa. Segundo funcionários da Prefeitura o prédio será demolido, transformando em pó o dinheiro público enquanto dezenas de famílias têm de permanecer nas ruas e locais impróprios.  

 

Sustentabilidade

Em conversa com funcionários da prefeitura e apoiadores Givanildo Silva Santos, membro do MNCR, explica a situação em que vivem. Trabalhando em baixo do viaduto os catadores não conseguem organizar o trabalho, não há espaço para armazenamento do material coletado, nem maquinário e infra-estrutura básica para o grupo se desenvolver. “Se a prefeitura apoiasse nosso trabalho, cedendo um terreno ou galpão para a cooperativa, poderíamos melhorar nossa renda e financiar uma moradia” declara. Segundo Santos, há diversas fontes de investimento que podem contribuir com a estruturação da cooperativa, mas sem um galpão adequado é impossível obter esse tipo de financiamento.

despejo glicerio 1

despejo glicério 3

despejo glicério 4

despejo glicério 5


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