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Expo Catadores 2012 atrai público de 7.500 pessoas

por Samuel Ferreira e FB Press — publicado 04/12/2012 17h25, última modificação 07/12/2012 12h15
Em sua terceira edição, evento recebeu uma média de 2.500 pessoas por dia
Expo Catadores 2012 atrai público de 7.500 pessoas

Foto: Sidmar Oliveira/Agência Anglo

Aberta oficialmente na manhã do último dia 28, a terceira edição da ‘Expo Catadores’ superou a expectativa e demonstrou a que veio, graças à capacidade de organização, comprometimento e envolvimento de todos os atores sociais participantes, além do grande número de público presente, entre catadores, visitantes, técnicos, expositores e parceiros sociais, totalizando um público de 7.500 pessoas durante os três dias do evento, numa média de 2.500 pessoas por dia.

A apresentação de novas discussões e diversas experiências focando a sustentabilidade e suas vertentes como um todo, fez com que o evento se transformasse numa espécie de cartão postal dos catadores e de seus múltiplos interlocutores e parceiros sociais.

A visita do jogador Neymar Jr. – garoto propaganda do Guaraná Antarctica – e do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, além do ministro Gilberto Carvalho e do secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, bem como os demais e, igualmente, relevantes atores sociais, ofereceu uma amostragem da importância que esse espaço de encontro, negócios e troca de experiência adquire a cada edição.

Durante a feira, catadores dos países visitantes externaram emoção e satisfação em participar de um evento capaz de mobilizar a categoria em toda a América Latina, além dos demais países cujos catadores lutam pela causa ambiental.

Quem veio de longe, aprovou a organização. “Se eu puder numerar de 1 a 10, é 10. Cada pessoa que participou vai sair com muito subsídio para suas bases, suas origens. É importante a troca de experiências entre as regiões porque a linguagem de catador é única”, comentou Rivaldo Fernandes Pimenta, que viajou dois dias e duas noites entre Caraúbas, no RN, e São Paulo.

Quem partiu do outro extremo também ficou satisfeito, como Melania Marli Menezes, do Rio Grande do Sul. “Foi muito bom, interessante para levar para as nossas bases, pra se erguer e se equilibrar mais. Achei importantes os depoimentos das pessoas que não apoiam a incineração”.
O catador Ernesto Cárcamo Meza, presidente da Central de Cooperativas de Pepenadores de Honduras, espera participar mais vezes da Expo Catadores. “Esta exposição é de muita importância, já que em nosso país não há esse tipo de evento. É a primeira vez que estou aqui no Brasil participando dessa exposição”, disse.

Da mesma forma, o catador Silvio Ruiz Grissales, da Asociación de Recicladores de Bogotá (ARB), em Colômbia, frisa com orgulho a participação em todas as edições da feira, onde teve a oportunidade de fazer novos amigos e de conhecer mais irmãos latinos. “Eu gosto muito do Brasil e do Movimento dos catadores brasileiros, porque esses companheiros fazem a luta pelos catadores do mundo”, afirmou.

A catadora Selma Maria da Silva, da Cooperativa Esperança, observou que, a cada edição da ‘Expo Catadores’, o evento se torna mais eficiente e repleto de novidades. “Esse ano tem mais inovação e tecnologia para facilitar nosso trabalho. Para nós é um avanço para a categoria, a gente aprende mais um pouco”, ressaltou.

Por sua vez, a catadora Valéria dos Santos Moraes, da Recicla Ourinhos, situada no interior de São Paulo, disse que a experiência em participar do evento está sendo muito importante para ela. “Estou achando  bem interessante e conhecendo bastante coisa que antes eu não conhecia. As pessoas são muito envolventes, simpáticas, carismáticas e prestativas”, afirmou.

Já o catador Jonas Vieira Machado, da Cooperfênix, situada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, disse que a reunião e a união dos catadores no evento são maravilhosas, além de frisar que não quer perder a oportunidade de participar das demais edições. “Estou achando ótimo. Em relação ao nível de aprendizagem também dobrou o que a gente já sabia, estou sabendo de mais coisas. A respeito dos maquinários, eu não conhecia e agora estou conhecendo”, afirmou.

De igual pensamento, o colega Aluízio Ribeiro – também de Mato Grosso do Sul – disse que desde o começo do projeto sempre acreditou em seu sucesso. “Estou gostando demais da conta, é coisa do futuro. No momento estou conhecendo ‘meio mundo’ aqui, de tudo que é parte de lugar”, disse sorridente. Ribeiro pertence à Cooperluta (MS) e frisou orgulhosamente que também teve a oportunidade de participar do Festival Lixo e Cidadania, ocorrido em outubro, em Belo Horizonte (MG).

Um dos expositores da Feira de Negócios desde o início do projeto, o empreendedor Hélio Makoto Hatisuka – da empresa Fragmaq – não economizou elogios à capacidade de organização dos catadores e à sua determinação em realizar um evento de nível. “A cada feira é 100% de avanço. Foi assim na primeira, avançou 100% na segunda e agora avançou mais 100%. Para quem está acompanhando desde o começo, nosso progresso é imenso”, ressaltou.

Ronei Alves da Silva, uma das lideranças do Movimento no RS, explicou que o evento é fundamental para difundir as informações e centralizar os catadores. “Funciona como um processo de formação, para que a gente se aproprie das informações e do conhecimento e volte com ferramentas para vencer as lutas. Só o conhecimento liberta”.

No palco

Foto: Sidmar Oliveira/Agência Anglo

 

A linguagem universalizada dos catadores possibilitou a troca de experiências com delegações de 12 países, como Bolívia, Equador, Índia, África do Sul, Colômbia e Venezuela. Após os agradecimentos gerais para apoiadores, catadores de outros países tomaram a palavra e reforçaram a importância da união para a causa, no mundo todo. “Estou orgulhoso de estar aqui, aprendi muito nestes dias e vou levar a experiência para lá”, falou o representante do Quênia.

Um dos líderes do Movimento Nacional dos Moradores de Rua também tomou a palavra: “Com muito orgulho estamos aqui presentes e esperamos que esta união se torne cada dia mais forte”.

Ao final, grupo de teatro que animou os corredores do evento deixou uma mensagem importante contra a incineração: “Não existe jeito certo de fazer coisa errada”.

Alex Cardoso, liderança do MNCR/RS, finalizou o momento otimista. “O destino da natureza e do ser humano estão interligados. Sem natureza não tem ser humano. A vida é bela, sim. E é dela que dependemos!”, ressaltou. E agradeceu a quem realmente faz acontecer. “O agradecimento mesmo é para todos nós catadores, que estamos aqui!”.

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