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Encontro Regional Sul dos Catadores do MNCR foi realizado no Paraná

por mncr — última modificação 20/10/2010 12h35
Evento reuniu cerca de 100 cidades da região sul do Brasil

Aconteceu no Ultimo dia 09, o 1° encontro de catadores da Região sul, com a participação de mais de 150 catadores representando mais de 100 cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de delegação do estado de São Paulo.

 

O encontro foi organizado exclusivamente por catadores de materiais recicláveis e teve a participação de apenas um técnico, que ficou na parte dos registros fotográficos e vídeo. As discussões foram a seguintes: PNRS, Inclusão dos Catadores X Incineração, Organicidade do MNCR e Finanças, Encontro e Marcha Nacional de Mulheres Catadoras, Informes Gerais e Avaliação do Encontro.

 

No primeiro assunto, tivemos como expositores e debatedores os catadores Carlos Alencastro Cavalcanti do estado coordenador MNCR/PR, Dorival Rodrigues dos Santos coordenador MNCR/SC, Maria Monica da Silva Coordenador MNCR/ SP e Alex Cardoso MNCR/RS.

 

Essa foi à discussão que mais teve a atenção e acalorou o debate, pois conforme os expositores falaram, a PNRS é igual a tantas outras leis, que garantem um pouco, sem deixar muito claro estas garantias, neste caso, falando sobre a contratação das cooperativas e associações de catadores para a realização da coleta seletiva mas coloca a possibilidade da incineração. Avaliamos por exemplo, que a PNRS não tinha nem sido aprovadas e encontros com prefeitos e seminários para discutir sobre este tema nos municípios e estados já estava acontecendo. Vimos por exemplo, que conforme a imprensa, o RS é o estado que esta apto a ser o berço da Incineração, estando em primeiro lugar, vimos também que a cidade de Joinvile (SC) juntamente com mais nove municípios já aceitaram a incineração como tratamento adequado aos resíduos sólidos.  “Eu juntamente com Guiomar do MNCR-SP ajudamos na construção desta lei, como delegados do movimento, mas não conseguimos barrar o artigo nono” desabafa Carlos. O artigo nono da lei é o que coloca em últimos casos a incineração dos resíduos, “mas com as movimentações que as empresas européias estão fazendo, parece que a lei só fala de incineração, Energia Limpa ou Usina Verde, conforme eles metem” conclui Cavalcanti.

 

Por outro lado, Dorival Rodrigues afirma que as discussões em torno da incineração estão sendo maquiadas e que a sua verdadeira face não esta sendo posta para que a sociedade avalie com mais clareza. “estamos falando de milhões de reais que poderiam organizar a todos os catadores em volta da reciclagem, com equipamentos tecnológicos, a exemplo do carrinho elétrico, proposto pelo MNCR” afirma Rodrigues. Na continuação, falou que um dos projetos do MNCR, o maior deles, é de 170 milhões de reais e inclui a geração de mais de 40 mil postos de trabalho na reciclagem, coleta seletiva, triagem, prensagem e comercialização e gerando mais de 5 mil postos de trabalho no setor industrial. “É um bem para o meio ambiente e a saúde humana incalculável” conclui Rodrigues.

 

Maria Monica da Silva, falou sobre  a contratação dos catadores para a realização da coleta seletiva dos materiais recicláveis, avaliando que a incineração é justamente o oposto a inclusão dos catadores e que a marginalidade dos catadores é justamente porque as prefeitura viram as costas para os catadores e que se realmente as prefeituras se preocupassem com as questões sociais e ambientais, as associações e cooperativas de catadores já estariam contratadas, pois se gasta menos, se inclui mais e os catadores coletam em média mais de 300 % de materiais que as empresas. “Com nosso trabalho, ajudamos de fato a cidade, os moradores aprovam e apóiam isso, que bom seria, se outras prefeituras a exemplo de Diadema, contrata-se os catadores, acredito que os catadores não seriam mais marginalizados e os materiais, todos os materiais recicláveis, seriam de fato, reciclados.” Aumentou a renda dos catadores e a auto estima. “Hoje, saímos as ruas como sujeitos incluídos na sociedade e isso nos garante mais energia para trabalhar e estamos lá(em Diadema) para que quiser ver” conclui com energia, Silva.

 

Alex Cardoso começou falando que o MNCR formará uma equipe nacional de catadores que estudará e acompanhará de perto as questões sobre incineração. Fala que a incineração esta a tempos cogitada para o Brasil, a incineração esta proibida pela União Européia e que as empresas, que lá não podem mais queimar o lixo, nos países de primeiro mundo, querem se estalar nos países menos desenvolvidos. “As empresas e governos falam em Energia Limpa, em Usina Verde em dar um fim ao problema. Mas a que custo, isso eles não dizem” fala Cardoso, Referindo-se ao processo da queima. “eles não falam nada das cinzas que sobram desta queima e nem das fumaça, ambos altamente poluentes e nocivos a saúde pública”, ao mesmo tempo, são projetos milionários e altamente lucrativos para a empresa, isso significará um rombo nos cofres públicos e a extinção do trabalho dos catadores. “Todos os catadores devem se mobilizar contra a incineração, todos devem lutar, a sociedade tem que fazer a sua parte, afinal essa é uma luta de todos”.

 

Após as exposições dos expositores, abri-se para o debate coma plenária, catadores de todos os estados presentes são contra a incineração, alguns já sabem o que significa isso, e tem a certeza que tem que ter mobilização social para que o Brasil e seus brasileiros não saiam perdendo. “Temos que estudar, isso tem que ser nosso alimento, nossa vida depende disso, proponho mobilização nacional dos catadores contra a incineração, cada um fazendo mais que a sua parte, pois é um momento em que temos que nos superar e entender a grandeza disso “ propõe Eva Elecy, catadora de Porto Alegre.

 

Sobre a pauta de organicidade e de finanças a plenária definiu que os catadores devem apoiar o MNCR financeiramente, com recursos próprios para determinadas situações. “se os recursos forem próprios, podemos fazer o que decidirmos sem ter que acatar a pauta de quem nos financia” A proposta é que se discuta o quanto em porcentagem ao que o catador ganhe deve ser repassado ao MNCR, pois com a organização do MNCR, muitos catadores até triplicaram sua renda e diminuiu seu esforço, isso tem que ter algum retorno, pois a maioria dos catadores está na pior. “crescemos muito enquanto organização, mas temos muito ainda que crescer em relação à organização e articulação com os catadores ainda desorganizados” afirma Carlos Alberto, coordenador estadual do MNCR-RS.

 

Quanto a organicidade, temos que fazer nossos comitês regionais funcionar, pois são eles que dão vida ao MNCR, é deles que saem as propostas das discussões estaduais e nacionais. “com nossos comitês organizados e ativos, construímos políticas e organizamos nossas bases assim como forçamos a organização estadual e nacional” conclui Alberto.

 

Marilsa Aparecida Lima, coordenadora estadual MNCR/PR fala que “as catadoras tem que buscar o seu espaço, temos que mostrar quem somos e buscar políticas próprias” Convidando as mulheres catadoras a organizar um encontro nacional a partir das discussões no estados, “assim construir um encontro forte” conclui Lima.

 

Nos informes, vimos que o estado do Rio Grande do Sul fará em na cidade de Santa Cruz do Sul-RS o seu encontro estadual, nos dias 22 e 23, convidando as entidades que trabalham com catadores a participar. O Paraná esta concluindo a formação do CATAFORTE e Santa Catarina esta avançando na sua organização. “é um momento de crescimento e esta formação prova isso” fala Rodrigues.

 

Finalizamos o nosso encontro sob forte salva de palmas e manifestações diversas provando que todos crescemos com este encontro.

 

Viva o MNCR

 

Presente, presente, presente

 

Sempre, sempre, sempre!

 
 

 

 
Por Alex Cardoso

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