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Catadores prestam serviço de coleta na Copa do Mundo

por mncr — publicado 10/06/2014 14h40, última modificação 24/06/2014 10h24
Cerca de 840 catadores vão trabalhar dentro dos Estádios

A organização dos catadores de materiais recicláveis mostra mais uma vez o resultado de um esforço nacional de luta e organização da categoria com a participação oficial na prestação de serviços durante a Copa do Mundo. Cerca de 840 catadores organizados em cooperativas e Redes de cooperativas farão parte do time de coleta seletiva dentro dos 12 Estádios palcos do mundial, além de eventos oficiais da Copa do Mundo. A ação é fruto de parceria do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Coca-cola Brasil e Fifa que contrataram as Redes de cooperativas nas cidades sedes e paga os catadores pelo serviço de destinação correta dos resíduos gerados nos eventos, além de capacitação e uniformes.

A reivindicação para serem incluídos em grande evento é antiga e já houve experiências desse tipo na Copa das Confederações onde os catadores cariocas prestaram esse mesmo serviço de forma exitosa.

Cada catador envolvido receberá em média R$ 80,00 por dia de trabalho, além de transporte e alimentação. Nos jogos na cidade de São Paulo são 70 catadores estão envolvidos na coleta dentro dos Estádios e outros 30 envolvidos na triagem dos materiais recicláveis no Galpão da Rede Cata Sampa que são outro complemento na renda das cooperativas ligadas a Rede.

“É um desafio, mas é um desafio muito importante que mostra que nós estamos prontos para fazer a coleta não apenas em uma copa do mundo, mas fazer a prestação de serviços nos municípios e em grande eventos.” avaliou o catador Eduardo Ferreira de Paulo, representante do MNCR e um dos selecionados a trabalhar dentro do Estádio.

Filhos de catadores também foram convidados para entrar no gramado segurando a bandeira do Brasil nos jogos. Mariana Gregório de Paula, 14 anos, filha de Eduardo foi uma das selecionadas e esta entusiasmada por participar desse momento. “Eu quero que chegue logo esse dia”, declarou.

 

Comitê Popular da Copa

O MNCR participa do Comitê Popular da Copa e é solidário aos movimentos sociais e lutam por direitos durante a Copa do Mundo. “A reivindicação é uma causa justa e correta, tem que reivindicar, ou antes ou depois da Copa, tem que reivindicar, mas nós esperamos que não haja violência na cidade de São Paulo” declarou Eduardo frisando que o Movimento esta observando qualquer ação de repressão aos catadores não organizados a exemplo de outras cidades como Curitiba e Manaus, nas quais o MNCR, mesmo trabalhando nos Estádios, saiu às ruas denunciando ações de violação dos direitos dos catadores e ausência de parcerias concretas com o Poder Público local.

 

Fora dos estádios

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abriu uma linha de apoio às cidades-sede da Copa do Mundo para a inclusão de catadores de material reciclável e seis localidades foram contempladas com R$ 2,3 milhões. Com o investimento, as Prefeituras locais estão sendo incentivadas a contratar cooperativas para fazer a coleta seletiva no entorno das arenas onde serão disputados os jogos e em festas oficiais para as torcidas. Todo o material recolhido será destinado às cooperativas de reciclagem. Nas seis cidades com projetos aprovados, Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza, Curitiba, Manaus e Natal, os catadores estão sendo capacitados e serão remunerados pelo trabalho.

Os recursos serão utilizados para a capacitação, aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual, logística do material coletado, além da comunicação e divulgação das ações de coleta seletiva.

 

Fora da Copa

Apesar da grande vitória em participar de um evento dessa magnitude, há também aqueles que ficaram de fora. A cidade de São Paulo soma 20 mil catadores em atividade que não trabalho em cooperativas ou redes.

“Houve uma seleção dos catadores, infelizmente não dá para colocar todo mundo, mas acredito que os catadores selecionados vão representar bem a categoria e elevar a autoestima de todos” declarou Eduardo, “Temos uma desafio de organizar toda a categoria, pois quanto mais organizado mais forte fica, principalmente para reivindicar dos direitos. Queremos ser reconhecidos mundialmente por esse trabalho”, completou.


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