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São Paulo implementa serviço de coleta seletiva com catadores

por Sara Fernandes, da Rede Brasil Atual — publicado 16/08/2016 15h03, última modificação 16/08/2016 15h03
Em 28 distritos da cidade, a coleta porta a porta é feita por catadores, que recolhem uma tonelada por dia em cada

Vinte e oito distritos da cidade de São Paulo já têm em funcionamento um sistema diferente para coletar lixo: são os catadores de material reciclável que, de porta em porta, fazem o serviço enquanto conversam com os moradores sobre a melhor maneira de descartar os resíduos. A expectativa é que o projeto piloto, implementado há três meses, seja estendido aos os 96 bairros da cidade. A iniciativa foi apresentada hoje (4) durante o terceiro encontro do ciclo de Diálogos Resíduo Zero.

Apesar do pouco tempo, esse tipo de coleta já é considerado mais eficiente e mais econômica pelo poder público e por organizações da sociedade civil. Em média, o custo é de apenas R$ 67 por tonelada coletada, e o total de rejeito é de 20%. Na coleta feita por compactador, o custo é de R$ 252 por tonelada e a média de rejeito de 50%. Na coleta por contêineres, a presença de rejeito é de 60% e o custo é de R$ 175 por tonelada, segundo dados do movimento Aliança Resíduo Zero Brasil.

"A coleta feita pelos catadores é muito mais eficiente que a das empresas, até porque eles fazem o trabalho de conscientizar a população", disse o coordenador de programas da Secretaria de Serviços, Djalma Oliveira. Atualmente, os catadores recolhem em média uma tonelada por dia de materiais recicláveis em cada um dos 28 distritos onde a operação é realizada. O que não pode ser reciclado é deixado em pontos estratégicos para ser recolhido pelos caminhões de lixo.

Catadores que estiveram presentes no evento afirmaram, no entanto, que as condições ainda são muito desiguais na comparação com as empresas privadas que possuem contratos de coleta de lixo. Atualmente, o serviço está dividido em quatro grandes companhias, que possuem contratos milionários e de pelo menos dez anos. Até o final do ano, a prefeitura espera lançar um edital que subdivida a cidade em diferentes áreas para coleta de lixo e distribua serviço entre mais empresas e entre as cooperativas de catadores.

"Nosso trabalho tem a eficiência reconhecida pelo poder público, mas muitas vezes trabalhamos em troca de migalhas contra concessionárias que ganham milhões. É uma briga desigual", disse Valquíria Santos, membro da cooperativa de catadores do Grajaú, na zona sul. Segundo ela, a coleta feita porta a porta por catadores é uma demanda histórica da categoria. "Fazemos tudo isso com pouquíssimo incentivo da prefeitura. Tudo o que entra na cooperativa entra pelo trabalho dos catadores, que só querem igualdade e trabalho digno pra levar alimentação pra dentro de casa", afirmou o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Eduardo de Paula.

Em São Paulo, apenas 10% das associações reconhecidas de catadores de materiais recicláveis são autorizadas a receber os produtos coletados pela prefeitura. A estimativa do poder público é que pelo menos 10 mil catadores trabalhem de forma autônoma, considerada mais precária que os associados a alguma organização. Da mesma forma, estão registrados no município 550 sucateiros e ferros velhos, mas estima-se que pelo menos 5 mil trabalhem de forma irregular, segundo a Aliança Resíduo Zero Brasil.

Ao todo 94% dos resíduos coletados na cidade de São Paulo vão parar em aterros sanitários. Porém, dados do movimento mostram que pelo menos 86% desses materiais poderiam ter outros destinos, como a reciclagem. Em média, um morador do Alto de Pinheiros, na zona oeste, produz 1,75 quilo de lixo por dia, ante 0,63 quilo diário produzido por morador de Cidade Tiradentes, na zona leste.


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