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Mecanização da coleta seletiva chega a São Paulo e coloca catadores em alerta

por mncr — publicado 23/05/2013 17h05, última modificação 24/05/2013 15h57
Novas centrais precisam de menos trabalhadores, Prefeitura promete manter postos de trabalho
Mecanização da coleta seletiva chega a São Paulo e coloca catadores em alerta

foto: Prefeitura de São Paulo

Processar mil toneladas de materiais recicláveis por dia na cidade de São Paulo. Essa é a promessa do Prefeito Fernando Haddad que lançou no ultimo dia 20 de maio o novo formato do sistema de coleta seletiva solidária do município. Para alcançar 10% de reciclagem do total dos resíduos gerados, cerca de 13 mil toneladas por dia, a Prefeitura de São Paulo irá utilizar 4 centrais de triagem mecanizadas com capacidade de processar 250 toneladas por dia cada uma.  A nova estrutura será construída pelas concessionárias Loga e Ecourbis, que já fazem a coleta de lixo comum, e deixarão de construir 17 novos galpões para cooperativas de catadores.  O investimento total das 4 centrais mecanizadas é de R$ 74 milhões.

Os catadores receberam a notícia com apreensão, pois os 17 novos galpões criariam até 1.600 posto de trabalho para catadores da cidade de São Paulo, as 4 novas centrais incluirão apenas 150 catadores e precisarão de técnicos especializados com treinamento no exterior para operar os equipamentos sofisticados. “A nossa grande dúvida, a dúvida de todos aqui, é saber como isso vai de fato beneficiar os catadores. Não queremos  uma grande usina com meia dúzia de catadores dentro, com o restante fora do processo...  Então acredito que nós ainda iremos debater e discutir muito essa questão de como seremos incorporados no processo”, afirmou Roberto Laureano da Rocha, da Coordenação Nacional do Movimento dos Catadores que também destacou os pontos positivos da iniciativa. “Essa gestão não optou pela incineração dos resíduos e esse já é um grande passo. Não deixaremos que seja algo em vão. Iremos acompanhar todo o processo para sabermos como tudo isso vai funcionar” declarou.

Segundo a AMLURB,  que administra o serviço de coleta seletiva, a renda com a venda do material reciclável processado pelas Centrais Mecanizadas, cerca de R$ 1.6 milhões por mês, serão divididos entra as cooperativas de catadores. “Nossa ideia é que participem da triagem e do processo de gestão desses galpões” declarou Silvano Silvério, presidente a AMLURB  e anunciou uma carta consulta para a obtenção de linhas de crédito a fim de melhorar a infraestrutura das cooperativas de catadores existentes. “Com o recurso na ordem de R$ 40 bilhões poderemos apoiar a infraestrutura, melhorar equipamentos, a condição de trabalho dos catadores, além de investir em qualificação para melhorar a produtividade”, afirmou Silvério.

O secretário Simão Pedro destacou a importância dos catadores. “Temos que fazer uma homenagem hoje a todos porque sem eles não teríamos nem esse 1,8% (de coleta seletiva) que temos hoje. Um dos princípios dessa administração é o respeito aos direitos humanos com inclusão, e é isso que pretendemos fazer com os catadores, oferecendo condições dignas de trabalho.”
O prefeito Fernando Haddad disse que “foram esses trabalhadores, os mais humildes, que nos ensinaram a olhar para aquilo que a gente chamava de lixo como oportunidade de trabalho, de renda e sustentabilidade ambiental.”

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