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Incinerador de lixo em debate em São Bernardo do Campo

por mncr — publicado 04/04/2013 17h45, última modificação 15/04/2013 10h14
Catadores realizam protesto usando mascaras e faixas
Incinerador de lixo em debate em São Bernardo do Campo

Catadores usaram mascaras em referencia a poluição e risco a saúde causado pelo incinerador

A gestão de resíduos sólidos foi tema de debate realizado no dia 03 de Abril na Universidade Metodista em São Bernardo do Campo (SP). O tema em questão era a incineração de resíduos para geração de energia. Na mesa, Tarcísio Secoli, Secretário de Serviços Urbanos de S. Bernardo do Campo e Dan Moche, especialista em Resíduos Sólidos e membro da Coalizão Nacional contra a Incineração de Lixo. A mediação foi feita pelo Presidente da OAB de São Bernardo do Campo, Luiz Davanzo.

Os debatedores apresentaram suas considerações durante 15 minutos e fizeram duas perguntas entre si com direitos a replica. Foram selecionadas 3 perguntas de um público de mais que 1.000 pessoas direcionadas aos debatedores.

O Secretario Tarcísio resaltou o atual plano de resíduos, que segundo ele atende a Política Nacional de Resíduos Sólidos, pois prevê reciclagem de 10% do resíduo seco até 2017, compostagem de 7% do resíduo úmido, e a incineração restante dos resíduos, além de disposição das cinzas e escória nos aterros sanitários. Dan Moche, por sua vez, argumenta que o Plano não atende a lei, pois inverte a prioridade de gestão prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos; no lugar de planificar a reciclagem de todos resíduos secos e úmidos, o Plano preve a destruição de 76% dos resíduos secos e 93% dos úmidos, sobrando apenas 13% de rejeito para a disposição final.  Segundo sua análise, essa opção tecnológica tira a oportunidade de geração de trabalho e renda para os catadores, destinando os recursos públicos para a empresa de incineração.

“O Secretário não respondeu a minha pergunta sobre por que não reciclar a maior parte dos resíduos ao invés de incinerar a maior parte. Também não defendeu o Plano de Gerenciamento que, em minha opinião, esta induzindo a Prefeitura para um caminho ruim.  O estudo tem erros sérios e lacunas” avalia Dan Moche.

O Secretário argumentou que apesar de pouco, os 10% previstos de recuperação pela reciclagem é muito maior que o volume recuparado hoje pela administração municipal, cerca de 1%.  O serviço será realizado por meio de uma Parceria Público-privada (PPP) por 30 anos e engloba todo o sistema de limpeza da cidade.  O investimento da Prefeitura na Usina de incineração será que 600 milhões de reais e o custo total do empreendimento será de 4 bilhões de reais.

 

 

Catadores foram impedidos de participar de debate

Um grupo de 150 catadores de materiais recicláveis e moradores do antigo lixão do Alvarenga foram impedidos de entrar no auditório da Universidade Metodista. O reitor da universidade alegou que a local não comportava mais pessoas. Como forma de protesto a representante do MNCR no ABC, Maria Monica da Silva, tomou a palavras ao final do debate, a revelia dos organizadores, e repudiou a falta de respeito aos catadores que ficaram do lado de fora.

“Não podemos admitir isso, são 150 pessoas que ficaram sem informação, serão as primeiras pessoas a sentir o impacto do incinerador, pois são moradores do Jardim Alvarenga, onde será construído a usina. Exigimos respeito”, declarou Monica ao publico presente.

Durante todo o debate, os catadores que conseguiram entrar no local, um grupo de 30 pessoas, usaram mascaras cirúrgicas sobre o rosto em referencia a poluição e risco à saúde humana gerado pelo incinerador.


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