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Catadores X Mecanização

por Setor de Comunicação MNCR publicado 13/08/2015 11h45, última modificação 14/08/2015 11h29 Publicado originalmente no Jornal O Trecheiro
A desconfiança dos catadores é que os materiais estejam sendo destinados prioritariamente às Centrais

A cidade de São Paulo vive em compasso de espera. Com preço baixo dos materiais recicláveis e dificuldade de avançar na implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos da Capital, o trabalho dos catadores está mergulhado em uma de suas piores crises. Falta infraestrutura para o trabalho, falta mão de obra nas cooperativas organizadas e falta material da coleta oficial da Prefeitura de São Paulo.

Algum problema ainda não identificado pelo poder público está fazendo diminuir a quantidade de recicláveis que chega às centrais de triagem e aos grupos de catadores que recebem os resíduos da coleta, mesmo sem contrato com a Prefeitura.

A desconfiança dos catadores é que os materiais estejam sendo destinados prioritariamente às Centrais de Triagem Mecanizadas, às chamadas Mega Centrais. Suspeita ainda não confirmada.

O que foi planejado e aprovado pelos catadores de materiais recicláveis e pelo conjunto da população da cidade para ser uma convivência equilibrada entre o trabalho mecanizado e as cooperativas de catadores está se tornando um grave problema de sobrevivência.

Não deu certo

A proposta inicial da Prefeitura de São Paulo era a de que quatro mega centrais iriam complementar o serviço de triagem dos materiais, elevando o índice de 1,7% para os 10%, prometidos por Fernando Haddad em campanha. No entanto, este plano não deu certo. Os equipamentos das mega centrais não correspondem ao que havia sido oferecido. Das esperadas 250 toneladas de materiais selecionados por dia, as mecanizadas produzem apenas 70 em média. A seleção mecanizada está longe de ser de qualidade. Os materiais que saem das mega centrais são cerca de cinco vezes mais baratos no mercado, comparado aos materiais que saem das cooperativas de catadores. O equipamento da Central da Ponte Pequena, por exemplo, seleciona os materiais em apenas seis tipos diferentes, mas a maior parte dos papéis fica toda misturada e vendida como Mistão, que é o papel misturado, com baixo valor no mercado.

Outros materiais nem chegam a ser separados como denuncia os catadores que trabalham na Mega da Ponte Pequena. “Material fino, como fios de cobre e metal, que as máquinas não conseguem separar, está indo para o aterro sanitário, um absurdo, enquanto os catadores estão passando fome”, relatou um catador que não quis se identificar, com medo de represaria.

Como a produção e os preços estão muito aquém do que foi planejado pela Prefeitura, o dinheiro que se esperava levantar com a venda dos materiais também não consegue pagar os custos da operação, tampouco paga as demais cooperativas de catadores que esperavam receber, enfim, pelo serviço de triagem que realizam gratuitamente para o município. O resultado é um elefante branco que não se sabe que fim levará. “Desconfiamos que essas máquinas possam pôr fim ao nosso trabalho”, declarou outro catador.

Um gargalo importante da coleta seletiva na cidade é o alto índice de rejeitos nas centrais mecanizadas. Chegou-se, em certa ocasião, à marca de 70% de rejeitos nos equipamentos. O problema é que os maquinários não estão adaptados ao tipo de resíduos brasileiros e à forma de coleta feita pelas empreiteiras Loga e Ecourbis. Na realidade, os caminhões compactadores estragam e contaminam o material durante a coleta. Além disso, não há investimento em educação ambiental para a correta separação dos resíduos, mesmo estando previsto em contrato, cujas empresas devem investir 1% do que recebem por esse tipo de campanha.


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