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Catadora morre esmagada em lixão no Pará, imprensa não divulga

por mncr — publicado 08/04/2014 15h10, última modificação 08/04/2014 15h29
No mesmo período catador morreu no Lixão da Estrutural no DF

A Catadora de materiais recicláveis Margarida Zelma Mineiro Borges, 40 anos, 18 anos deles vividos na catação dos materiais no Aura, no Pará, mãe de 10 filhos, sendo 5 menores de 12 anos, conhecida no lixão por todos como dona Poronga e dona Zelminha pelos mais queridos, morreu ontem esmagada pelo trator compactador de lixo no Lixão do Aura, entre as cidades de Belém e Ananindeua, recebendo todo o resíduo de Belém e Região Metropolitana.

Às 23 horas de segunda feira do dia 24 de março foi o último dia de trabalho da dona Zelminha que foi surpreendida pelo trator que a atropelou. Cerca de 500 catadores estavam presentes no momento. Muitos deles gritaram para o maquinista, alertando-o para que ele parasse o trator. Porém, o motorista ao ver os catadores gritando, ao invés de parar, retornou e atropelou novamente a Dona Zelminha, que morreu na hora, compactada no lixo da sociedade Paraense.

Este caso revoltante, que colocou mais uma vez os catadores reféns da politicagem municipal, que há anos deixa os problemas sociais se arrastarem, descuidando inclusive de aspectos econômicos e principalmente das questões ambientais que circulam nos lixões do País. Mais uma vítima, que trabalhou uma vida inteira e que ao tombar em pleno lixão, deixa 10 crianças órfãs.

A família e os companheiros de trabalho estavam inconformados no velório, revoltados pelo abandono dos poderes públicos, que os jogaram no lixão, sem direito nenhum, que acabam reféns destas atrocidades e vítimas deste sistema perverso. O trator não levou somente uma catadora, mas sim uma família inteira e uma categoria inteira, pois os catadores e catadoras de todo o Brasil morreram um pouco junto com a Dona Zelminha.

“Humilhados é como nos sentimos neste momento, sem nenhum poder de reação, mataram mais um de nós”, desabafa o irmão da catadora que não quis dizer seu nome.

Há muitos anos os catadores de materiais recicláveis estão em processo de luta pela inclusão sócio-econômica. São reconhecidos enquanto trabalhadores e hoje contam com leis, tanto de reconhecimento como de profissionalização do seu trabalho, mas que ainda caminha vagarosamente nas mãos de prefeitos e prefeituras incompetentes e omissos que deixam casos como estes que não pode ser considerado uma fatalidade, mas sim um fato que já aconteceu e voltará a acontecer novamente.

“De mim, o trator somente levou a perna” disse Dona Antonia, catadora de materiais do Aurá, que trabalhou 16 anos no lixão, também foi atropelada no lixão há seis anos.

Outros catadores também morreram vítimas deste mesmo tipo de “acidente”, os quais nem sequer receberam cuidados mínimos após seus acidentes ou indenizados, agravando ainda mais a situação já bastante precária.

“se tivessem colocado em pratica a política nacional de resíduos sólidos, casos como estes seriam casos do passado” declara Carlos Alencastro, representante do MNCR.

A imprensa, não se manifestou nem divulgou o caso deste assassinato, deixando barato mais um caso de violência contra a categoria. Nem jornal, nem TV nem muito menos Rádio comentaram, é como se não tivesse acontecido nada.

No mesmo periodo um trator atropelou mais um catador no lixão da estrutural, no Distrito Federal.

CATADOR NÃO É LIXO PARA SER ESMAGADO PELA OMISSÃO DO PODER PÚBLICO.

EXIGIMOS JUSTIÇA PELO ASSASSINATO DE NOSSA COMPANHEIRA!

Video depoimento de catadora do Lixão do Aura


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