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Os mini-lixões de Porto Alegre

por Setor de Comunicação MNCR publicado 07/11/2018 14h55, última modificação 07/11/2018 15h07
Containers da cidade não cumprem a Lei e excluem os Catadores

São de um a três em cada rua dos Bairros mais nobres da nossa capital, local que recebe tudo que as pessoas não querem mais, acumulando restos de comida, fraudas descartáveis, resíduos de varredura, papel higiênico, sobras de obras, jornais, plásticos, vidros e tudo mais que se possa imaginar, tornando-se atrativos para vetores, como ratos, baratas e outras pragas, gerando odores desagradáveis, poluição visual e um local de descarte inapropriado para resíduos recicláveis. Além disso, recebem grandes investimentos de manutenção, mas não geram trabalho, proteção ambiental e nem mesmo cumprem a lei de resíduos sólidos brasileira. Parece que estou falando dos lixões?

Estou me referindo aos contêineres de Porto Alegre, estes mini-lixões, pois além de serem caros, privados, não terem nenhuma eficiência na gestão de resíduos da cidade, também contribuem enormemente para a diminuição da reciclagem. O cidadão, gerador de resíduos, não tem mais a preocupação de realizar a separação dos resíduos e destinar à reciclagem, “jogando” todos os resíduos misturados dentro do contêiner, que depois, será coletado por um caminhão automatizado e transportado por 120 quilômetros de Porto Alegre, até a cidade de Minas do Leão.

Três empresas privadas lucram milhões com este desserviço à cidade e ao meio ambiente, pois a coleta automatizada não gera postos de trabalho (gera apenas um posto, um motorista por caminhão) na coleta, no transporte até Minas do Leão e depois para enterrar no Aterro Sanitário , sendo atualmente a forma de gestão de resíduos mais cara do país, onerando violentamente os cofres públicos.

A prefeitura de Porto Alegre insiste em retroceder na política de gestão de resíduos sólidos, descumprindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos e seu próprio plano de gerenciamento de resíduos e decidindo a revelia da população porto-alegrense, ampliando o número de contêineres neste mês de novembro, agora para “recicláveis” no centro de Porto Alegre, mesmo com à contrariedade dos catadores que nem sequer foram consultados, sendo uma política vertical e unilateral, desconsiderando a luta das catadoras e catadores das cooperativas, pela coleta seletiva solidária e a educação ambiental.

Atualmente apenas 600 catadores atuam nas 20 unidades de triagem, sendo metade da capacidade que temos de geração de postos de trabalho, 3 destas unidades nem sequer recebem materiais para conseguirem trabalhar durante a semana inteira, tendo que fechar as portas na metade da semana, ao mesmo tempo em que a cidade caminha para a proibição da circulação dos catadores de rua, com a proibição primeiro das carroças e agora dos carrinhos.

Com cifras milionárias, a prefeitura amplia ainda mais o seu sistema excludente, desrespeitando a nossa história de Porto Alegre como cidade modelo de reciclagem, privatiza o serviço, descumprindo leis e excluindo pessoas, acabando com postos de trabalho e tornando-se uma cidade suja, sem amor ao próximo, sem solidariedade, sem respeito.

Alex Cardoso, membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e da Rede Catapoa denuncia e chama a comunidade de Porto Alegre a se manifestar em favor da reciclagem e dos catadores, cobrando da prefeitura para que cumpra a lei de resíduos e mude seu sistema privado e excludente para um sistema inclusivo e cooperativado, onde os geradores de resíduos tenham como destinar adequadamente seus resíduos e os catadores sejam reconhecidos e valorizados pelo importante trabalho que fazem através da implantação de contratos com as cooperativas de catadores para realização da coleta seletiva solidária.

“A coleta seletiva solidária amplia os índices de reciclagem, os postos de trabalho, a valorização do trabalho com aumento real na renda do catador além de ser a forma mais efetiva de educação ambiental sem aumentar os investimentos públicos” declara Alex Cardoso.

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