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Momento de celebração marcou Encontro Estadual dos catadores(as) gaúchos(as)

por Assessoria de comunicação MNCR/RS — publicado 22/10/2012 12h01, última modificação 22/10/2012 12h01
Cerimônia de entrega de caminhões e certificados do curso de formação

Na manhã do dia 18 de outubro, o auditório central da Universidade de Santa Cruz do Sul/UNISC aos poucos foi se enchendo de alegria, vinda de todos os cantos do estado do Rio Grande do Sul. Alegria essa provinda de dentro dos corações dos mais de 300 catadores e catadoras que realizaram seu Encontro Estadual para celebrar conquistas e reafirmar suas bandeiras de luta.

A mesa de abertura, composta por diversas autoridades, tais como o presidente da Fundação do Banco do Brasil, Jorge Streidt, o secretário Executivo da Fundação Luterana de Diaconia, Carlos Gilberto Bock, o representante da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Luis Henrique, o vice-prefeito de Santa Cruz do Sul, Luís Costa, a pró-reitora de Extensão e Relações Comunitárias da Unisc, Ana Luisa Teixeira Menezes, o representante do Fórum de Ação pela Coleta Solidária e Reciclagem em Santa Cruz do Sul, José Antonio Schimitz, o superintendente estadual da Funasa, Gustavo de Mello , entre outros. Todos expressaram-se se comprometendo em manter o trabalho de apoio aos catadores(as) em seus mais diversos  locais de trabalho. “É um momento histórico para nós, pois estamos mostrando que através da organização e da luta podemos ter conquistas e melhorias em nossas vidas”, comentou Ângela Maria Nunes, catadora há oito anos na Cooperativa dos Catadores de Santa Cruz do Sul/COOMCAT.

Na oportunidade, aconteceu a entrega de cinco caminhões e o repasse simbólico das chaves de outros onze, totalizando assim um investimento de dezesseis caminhões às cooperativas do Rio Grande do Sul. Adquiridos por meio do projeto Cataforte II - Logística Solidária -, cinco serão para a Rede Cooarlas (Cooperativa de Reciclagem Amigos Solidários de Canoas); cinco para a Rede Coomcat (Cooperativa dos Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul e região); cinco para a Rede Cootracar (Cooperativa de Catadores e Carroceiros de Materiais Recicláveis, Industrialização e Comercialização de Gravataí e região) e um para a Rede Uniciclar (Cooperativa de Recicladores e Catadores do Município de São Leopoldo). É importante ressaltar que cada Rede é composta por diversas cooperativas.

Representantes de cerca de mil catadores(as) de todas as regiões do estado  do Rio Grande do Sul receberam  os diplomas do curso de formação do Projeto Cataforte II. Este conhecimento veio para fortalecer a consciência de classe de toda a companheirada, além de ajudar na organização das bases.

 

No período da tarde foram realizadas diversas oficinas temáticas, tais como logística reversa, nova lei do cooperativismo, gênero, o papel dos apoiadores, alternativas à incineração, entre outras, movimentando assim os participantes. “Este foi um dos diferenciais deste encontro, a gente precisa ter o conhecimento para poder transformar a realidade, para saber o que realmente está acontecendo, fazendo com que os companheiros falem a mesma língua e saibam dialogar com a sociedade” comentou a catadora Maria Tugira, militante do MNCR.

Logística reversa e Coleta Seletiva Solidária pautada pela força das ruas

Após a Plenária Final do encontro, catadores e catadoras tomaram as ruas de Santa Cruz do Sul, para compartilhar com toda a comunidade esta conquista. Também pediram o apoio da população na implementação da Coleta Seletiva Solidária que será realizada no município pela COOMCAT. “Este projeto só foi possível de se concretizar pela mobilização social que construímos na cidade, e agora é hora de mostrar que temos como consolidar esta experiência” enfatizou Grazyela Soares de Mello, militante do MNCR e integrante da COOMCAT.

O sol já se punha na capital internacional do fumo, quando a caminhada dos catadores(as) se dirigiu até a fábrica da Philip Morris do Brasil, localizada no centro da cidade. “Realizamos um ato simbólico nesta fumageira que é uma grande geradora, para que ela faça uma opção de cumprir a logística reversa com os catadores. Agora com os caminhões temos estas condições” comentou Fagner Antonio Jandrey, Coordenador da Coomcat e militante do MNCR.

Um protocolo de intenções foi entregue aos diretores da empresa que receberam a comissão de negociação do MNCR. “Os diretores se mostraram sensíveis para iniciar um diálogo de contratação da cooperativa para prestar este serviço” ressaltou a advogada do MNCR, Paula Garcez Correa da Silva. Segundo um dos diretores da empresa, Edson Ferreira da Silva, agora o protocolo seguirá até o setor de assuntos corporativos para que possa ser avaliado e dado o prosseguimento a negociação.

Já era noite quando a comissão de negociação foi saudada pela manifestação ao sair de dentro da Fábrica com os esperados informes.  Neste espírito de luta e solidariedade foi encerrada a mobilização. Cada catadora e catador, assim como seus apoiadores  regressaram para suas cidades, casas e famílias com o sentimento de alegria e esperança por melhores dias. Dias de conquista e de luta.

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