Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Lutar, criar, Reciclagem Popular!
Ferramentas Pessoais
Acessar
This is SunRain Plone Theme
Você está aqui: Página Inicial / Notícias / Blog Centro-oeste / Estrutural: o maior lixão da América Latina é um pesadelo da sociedade brasileira

Estrutural: o maior lixão da América Latina é um pesadelo da sociedade brasileira

por mncr — publicado 03/02/2014 15h40, última modificação 04/02/2014 09h35
Milhares de famílias sobrevivem da capital do lixo no centro do Brasil
Estrutural: o maior lixão da América Latina é um pesadelo da sociedade brasileira

Foto: Alex Cardoso

Desde os anos 70, na Cidade Estrutural (região metropolitana do Distrito Federal) se instalou um lixão, fruto da herança militar permanece ativo até hoje e é grande preocupação principalmente para os catadores e os gestores públicos.

O lixão que outrora era um buraco de 1 hectare, hoje, 40 anos depois, conta com 240 hectares de diâmetro e 60 metros de altura, recebendo 70 mil toneladas de resíduos por mês, sendo que apenas 3% são recicladas, o que significa menos 2 mil toneladas adicionadas a montanha.  Isso graças a um exercito de 2.500 catadores de materiais recicláveis, que em sua maioria vivem com uma renda mensal inferior a R$500,00, fruto da venda dos materiais recolhidos. Estes trabalhadores, verdadeiros defensores da natureza, trabalham em cima do lixão de forma indigna (sem nenhum equipamento ou proteção individual ou coletiva), se tornando natural cortes de partes do corpo, principalmente mãos e pernas, mas que também trás vitimas fatais, como a catadora de materiais recicláveis Maria Amélia Ramos da Cruz tinha 59  vitimada no anos no ano de 2011, em 2012 outra catadora de 39 anos faleceu dentro do lixão. Em 2013 uma carreta passou em cima da perna de outra catadora.

Muitos catadores ainda residem na área do lixão, constroem barracos feitos de papelão e plásticos e passam a semana trabalhando, voltando somente nos finais de semana pra casa, mas há ainda os que não voltam e tem no lixão sua única moradia. Há 3 anos atrás, era normal ver crianças e adolescentes trabalhando no lixão, o que é expressamente proibido, mas algumas ainda são colocadas nessa situação. Questionando algumas famílias justificam que passariam muito mais necessidades  caso as crianças não trabalhassem. Assim sendo, quando em chegada ao lixão, catadores menores de 18 anos se escondem para não terem maiores problemas.

Cerca de 1.700 destes catadores estão cadastrados, sendo que mais de 1.500 estão organizados em 5 cooperativas, que ainda tem suas organizações precárias em relação a infraestrutura de trabalho, que a mais de uma década lutam por melhoras e por direitos. estas cooperativas contam apenas com pequenas estruturas com telhados e prensas para prensarem os materiais recicláveis. A Situação como um todo é muito difícil, principalmente para as mulheres que passam muito mais tempo (cerca 10 horas de trabalho) envolvidas na catação e na triagem dos materiais. O trabalho de catação no lixão não para. São 24 horas de grandes caminhões depositando o lixo, catadores se revezando no trabalho e muitas máquinas fazendo a compactação dos rejeitos e detritos que ficam depois da catação dos catadores.

Se não houvesse a  ação dos catadores dando vida útil a este aterro ele já teria que ser encerrado há  15 ou 20 anos atrás, demonstrando um dos valores e a importância dos catadores nesta ocupação.

Estas Cooperativas fazem parte da Central de Cooperativas do Distrito federal e Entorno-CENCOOP, a qual organiza mais de 3 mil catadores organizados num total de 24 cooperativas espalhadas no Distrito federal.

A CENTCOOP, que é a organização jurídica do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, assinou um convenio junto ao Governo Federal e Distrital para dar minimamente dignidade ao trabalho, construindo galpões e os equipando para que os catadores e catadoras destas cooperativas tenham mais valorização e reconhecimento pelo seu trabalho.

O problema enfrentado pelo MNCR, é que o Governo Distrital não avança na construção dos galpões, deixando com que as cooperativas passem muito mais tempo na situação que estão, além do mais, a sociedade brasiliense é uma sociedade burguesa e preconceituosa, que não vê a melhora das pessoas e principalmente a reciclagem como um beneficio, não apoia os catadores. O governo apoia-se nessa sociedade para não resolver os problemas. Na prática, são 52 milhões de reais que estão nas contas do governo distrital que não estão sendo investidos.

Recentemente, os catadores fizeram o fechamento do lixão, proibindo a entrada dos caminhões, pois os acordos firmados com os governos não avançam e a situação permanece a mesma. Segundo  os catadores, os gestores são pessoas sem sentimentos, pois não enxergam as verdadeiras vantagens e benefícios que estes trabalhadores contribuem, tanto econômicos como ambientais.


Navegação