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ESPERTIRINA MARTINS

por mncr — última modificação 05/09/2013 17h03
e a resistência operária

Espertirina Mártins As condições de trabalho no início do século passado eram as piores possíveis. As fábricas não tinham janelas, os trabalhadores trabalhavam mais de 14 horas por dia, em 6 dias da semana, os salários eram miseráveis. Aconteciam muitos acidentes de trabalho, mas não havia indenização. Não existia o direito à aposentadoria. Grande parte da força de trabalho era constituída por crianças de cinco ou menos anos de idade. As crianças eram freqüentemente espancadas por seus “patrões”. Em 1920, metade dos trabalhadores das fábricas de tecidos do país eram mulheres e crianças com menos de 14 anos de idade. Grande parte dos trabalhadores eram imigrantes vindos da Europa, em especial da Itália.

O ano de 1917 foi tomado por grandes greves em todo o país. A vida estava cara demais, a fome era grande mesmo entre os que trabalhavam, as condições de trabalho eram péssimas, e a exploração do trabalho infantil e feminino começaram a revoltar os operários.

Os operários, organizados em seus sindicatos, fizeram então uma pauta de reivindicações para lutar até conquistar seus direitos. Nela, exigiam: medidas para diminuição dos preços dos alimentos e artigos de primeira necessidade, da água, aluguel e bondes; aumento dos salários, jornada de 8 horas de trabalho e de 6 horas para mulheres, e proibição do trabalho infantil.

No ano de 1917 a vida urbana  foi completamente alterada. Participaram da greve pedreiros, padeiros, trapicheiros e estivadores, trabalhadores da Cia Força e Luz, operários das fábricas de tecidos, carroceiros, caixeiros, choferes, tipógrafos, entre outros. Começava a Guerra dos Braços Cruzados, que levou este nome por ter sido realmente uma guerra do povo contra as elites para conquistar seus direitos. Ocorriam piquetes, manifestações, apedrejamentos, barricadas, motins e ocupações de fábricas todos os dias.

Nesta luta toda, em Porto Alegre a brigada matou um operário. Os operários, em greve, organizam então o enterro do colega assassinado, que era também um protesto por sua morte. Milhares de operários, homens, mulheres e crianças acompanharam o enterro em procissão pela Avenida. Na frente estava Espertirina Martins carregando um buquê de flores. Ao lado contrário da avenida, vinha a carga de cavalaria da Brigada Militar para reprimir a procissão dos operários.  Quando os dois grupos se encontraram, Espertirina com seu buquê de flores se aproximou dos brigadianos, que estavam prontos para atacar, e jogou seu buquê no meio dos brigadianos. O buque explodiu, matando metade da tropa e assustando os cavalos. Começou então uma verdadeira batalha campal, que graças ao preparo dos operários, saíram em vantagem.

Espertirina Martins (1902-1942) pertencia a uma família de militantes anarquistas, lutadores, que tiveram muita importância nas lutas operárias daquela época.

Graças a toda a batalha, foram conquistadas as 8 horas de trabalho, o fim do trabalho infantil, a aposentadoria, a licença-maternidade, o direito à assistência médica e a indenização no caso de acidente de trabalho.

 

ESPERTIRINA MARTINS, TRABALHADORA e  GUERREIRA,

DEFENDEU COM DINAMITE A LUTA DA CLASSE OBREIRA!!



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