Catadores fazem protesto pela gestão de residuos

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Publicado Última modificação 27/05/2009 17:22

Fonte: Roberto Patta/Cazeta do Sul

Uma manifestação pacífica marcou a caminhada de integrantes do
Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) de
Santa Cruz do Sul. A passeata realizada ontem à tarde reuniu cerca de
20 trabalhadores, que saíram da Praça Siegfried Heuser, passando pelas
principais ruas do Centro. No saguão da Prefeitura, a categoria teve
uma audiência conjunta com a prefeita Kelly Moraes, Procuradoria
Jurídica e dois secretários. Os catadores promoveram o ato em defesa do
trabalho, da geração de empregos, da preservação da natureza e do bem
público.


Durante o trajeto, panfletos foram entregues à população,
enquanto o coordenador do MNCR, Fagner Jandrey, explicava o motivo do
protesto. Segundo ele, o atual modelo de gestão do lixo no município é
insustentável. “Apenas 8% do material é reciclado e o resto vai para um
aterro em Minas do Leão”, afirma. Por ano, a Prefeitura gasta cerca de
R$ 4 milhões com o recolhimento do lixo seco e orgânico.

Os resíduos são encaminhados para a Usina Municipal de
Reciclagem, que é gerida pela Cone Sul, vencedora da licitação na
administração passada. Por mês, a empresa recebe aproximadamente R$ 22
mil para a manutenção do local e o pagamento de salários. “Não queremos
excluir a empresa. Estamos pedindo que se passe uma parte do serviço
(coleta seletiva e gestão da usina) aos trabalhadores da reciclagem.
Ela continuará com a coleta de lixo orgânico, transporte e destinação
final”, ressalta Jandrey.


Na sede do Executivo, participaram da audiência a prefeita
Kelly Moraes, o procurador adjunto, Luciano Almeida, o secretário de
Meio Ambiente, Alberto Heck, a secretária de Desenvolvimento Social,
Núbia Bruch e Jonas Mello, que representou a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico. De acordo com a prefeita Kelly, o governo
está disposto a dialogar com a categoria. Ela solicitou a relação das
famílias que dependem desse tipo de serviço. Estima-se que hoje existam
100 famílias, mas Kelly quer saber o número oficial para que o
cadastramento possa ser feito. Um novo encontro está marcado para o
próximo dia 3.


No último dia 18, a promotora de Defesa Comunitária, Roberta
Brenner de Moraes, instaurou um inquérito civil para apurar o
cumprimento do contrato do município com a Cone Sul sobre a coleta e a
destinação do lixo na cidade. O caso foi denunciado ao Ministério
Público pelo próprio MNCR, alegando que alguns pontos estariam sendo
descumpridos. Tanto Kelly como Almeida garantiram que, se houver
irregularidades nas cláusulas, o contrato pode ser rescindido. A
investigação do MP deve ser concluída até a semana que vem.