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Os 'Catadores de papel' por Paulo Giandalia

por mncr — publicado 25/03/2008 09h00, última modificação 09/02/2012 11h06
Catadores de Sonhos: um ensaio fotográfico de forte expressão social.

Os 'Catadores de papel' por Paulo Giandalia: um ensaio fotográfico de forte expressão social.



Por Camila Pinheiro

Fotografar a população sem moradia da cidade de São Paulo que recolhe material reciclável pelas ruas. Essa foi a idéia do fotógrafo Paulo Giandalia ao desenvolver um projeto sobre os "Catadores de papel" nos bairros dos Jardins, Pinheiros, Mooca, Brás, Penha e Brooklin. Durante 40 dias, Paulo captou imagens que mostram que o talento desses homens e mulheres para viver é inquestionável e ainda assim encontram dificuldades e discriminação social.





O ensaio fotográfico é uma narrativa que se prende a fatos cotidianos, onde os “catadores de papel” despontam como atores indispensáveis dessa história. Foram 50 pessoas fotografadas, personagens fortes, silenciosos, expressivos, em um meio que é preciso trabalhar muito para tanto, ou melhor, para tão pouco. De acordo com Paulo, todos eles confirmam que recolhem em média 200kg por dia, 4 toneladas por mês de lixo reciclável e recebe em média de R$600 a R$800por mês. Conforme os dados estatísticos, todos eles retiram um total de 80.000 toneladas de lixo por mês da grande São Paulo.





A sensibilidade do olhar de Paulo Giandalia nos faz entrar dentro de um universo completamente desconhecido. Daí vem a importância do fotógrafo em um trabalho social como este. Através das imagens, ele é capaz de mobilizar as pessoas a agirem conscientemente.

Para realizar este projeto, Paulo Giandalia, repórter fotográfico desde 1989, convidou o fotógrafo Leonardo Duarte, ex-menino de rua, resgatado pelo projeto menino e meninas de rua de São Bernardo, e atual educador do projeto.

Confira a entrevista com Paulo sobre essa experiência.

Ímã- Como você iniciou na carreira de fotógrafo?
PG- Meu primeiro trabalho, na verdade, foi um ano fotografando festas de formatura de crianças para um studio na liberdade, em 1981. Mas, já fiz também vários still fotográfico em produtoras de cinema publicitário, fotos de locações e casting. Eu vivo exclusivamente de fotografia desde 1988 e no jornalismo desde 1989, quando entrei no Jornal da Tarde.



Para quais veículos você já trabalhou em fotojornalismo?
PG- Jornal da tarde (1989)
Folha de São Paulo (1991 a 2000)
Valor econômico (2000 a 2005)
A partir de 2005, freelancer.

Ímã - Como surgiu essa idéia de fotografar os catadores de papel?
PG- A idéia nasceu de uma conversa com um grande empresário brasileiro na área de celulose interessado em fotos com cunho social. Eu desenvolvim um projeto de fotografar os sem teto durante os 7 dias da semana, fui para a rua e enfrentei uma realidade maior e mais criativa que imaginava: quase 100% deles faz reciclagem de materiais para poder sobreviver, em escalas pequenas ou grandes. Famílias inteiras são sustentadas por isso, e no final, após fotografar mais de 50 pessoas, indivíduos e cooperativas de catadores, eu entendi que os catadores movimentam um volume inacreditável de lixo reciclado: Cada um retira de 3 a 4 toneladas por mês, são 20.000 na grande São Paulo, o que quer dizer quase 1 milhão de toneladas por ano. Daí, convidei para participar deste projeto, o fotógrafo Leonardo Duarte, ex-menino de rua, que já publicou um ensaio fotográfico sobre meninos de rua na Folha de São Paulo. Nos concentramos no trabalho criativo e importantíssimo deles


Ímã- Os catadores de papel têm noção da importância do trabalho dele em relação a consciência ambiental?
PG- Boa parte sim, principalmente os que se organizam em cooperativas, que nada têm de governamentais, são catadores que se unem para otimizar o processo e que ‘industrializam’ a catação do lixo retirado nas calçadas até o pacote de 200kg prensado para ser vendido limpo. A outra metade, ainda está no limite da degradação e miséria, eles sabem o quanto é importante mas não se sentem reconhecidos pela população.



Ímã- O catador de papel sempre anda curvado, silencioso, com um olhar vago. São personagens fortes, expressivos, donos de sentimentos humanitários, assim como os seus retratos. Nota-se que você entrou na história, sentiu as dificuldades. Conta um pouco dessa experiência, dessa relação.
PG- O mundo silencioso dos catadores vem da situação de miséria que enfrentam em proporções diferentes entre eles. Muitos transformaram sua degradação pessoal em trabalho criativo: Qual foi o primeiro que entendeu que retirar lixo quase limpo das calçadas em frente ás casas e prédios era ir à fonte da matéria prima? A sua introspecção vem do ‘calejamento’ das relações pessoais das ruas, sempre inóspitas, e terríveis numa metrópole.





Ímã- Os fotógrafos sempre passam por dificuldades quando abordam um assunto social. Qual foi a maior dificuldade que você encontrou para conseguir fotografá-los? - Como você chegou até eles?
PG-O primeiro contato foi difícil até o cara acreditar que a intenção era não prejudica-lo, que a foto não seria usada contra ele.Nenhuma abordagem na rua é tranqüila, ele já passou por momentos que não se pode imaginar no dia-a-dia, situações realmente de perigo.





Ímã- Em sua opinião, qual a principal característica ou comportamento que o fotógrafo deve ter nestes casos para haver uma melhor integração entre o fotógrafo e o meio ?
PG-Olhar nos olhos e contar o exato motivo do teu trabalho. Quando ele percebe, nos teus olhos, que a foto é legal, o catador até se entusiasma porque sente que pode ‘contar’ um fato bom da sua vida, ele sabe que está você está fazendo um trabalho sério..
Se a pessoa não quer ser fotografada, a foto não vai valer.

Ímã- Qual foi a principal função da fotografia neste tema em questão?
PG-Tentar criar um vínculo com o expectador urbano, que não imagina a desproporção entre aquele sujeito sujo e o seu dia-a-dia de cidadão que passa invisível aos olhos dele. Também é importante mostrar a saúde da cidade através deste trabalho braçal.



Ímã- Qual é foto que melhor retrata a cara desse projeto?
PG-O Alan, da baixada do Glicério, o cara mais forte que aparece nas imagens, que carrega, em algumas vezes, quase 800kg por dia e parece um estivador e não um miserável.



Ímã- Fala um pouco da oficina que você vai dar na Ímã no dia 17 de julho.
PG-Quero levar as pessoas para a rua, em uma cooperativa da baixada do Glicério. A idéia é tentar mostrar aos fotógrafos as várias situações externas de luz e também o comportamento do personagem. Tentar criar soluções ótimas de foto e e fazer contato com pessoas distantes de seu convívio.

http://www.imafotogaleria.com.br/noticias/noticia.php?cdTexto=1010 


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