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MNCR ocupa usina de reciclagem municipal

por Melissa Braga — publicado 05/05/2008 09h00, última modificação 09/02/2012 11h14
Ação lembrou o Dia dos Trabalhadores, e defendeu o direito ao trabalho.

1º Maio em Santa Cruz Catadoras e catadores ligados ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis ocuparam a usina de reciclagem de Santa Cruz do Sul por volta das 8h e 3 min da manhã do dia 29 de abril de 2008. Durante oito horas, impediram que caminhões entrassem para descarregar o lixo coletado, comprometendo o serviço. Os trabalhadoras da usina não foram impedidos de sair, porém permaneceram no local e se mostraram solidários ao movimento.

 

Os integrantes do movimento fizeram a ação em memória ao dia 1° de Maio, resgatando a data histórica como dia de luta da classe trabalhadora. Também cobraram acordos firmados entre catadores e poder público: um prédio maior para o trabalho, a destinação regular da coleta seletiva - conquistada pela luta dos catadores e referendada por uma Lei de Iniciativa Popular – e a formalização de um grupo de trabalho composto por diversas secretarias municipais e catadores, para discutirem e implementarem políticas públicas para a categoria de trabalhadores informais. Para garantir o cumprimento do acordo, exigiram um termo de compromisso assinado em cartório pelo secretário do Meio Ambiente.

 

O secretário municipal do Meio Ambiente, Clero Ghislene, e o secretário de Segurança e Serviços Públicos, Coronel Alves, escoltados pela Brigada Militar, queriam entrar na usina para negociar. Porém, os catadores negaram a proposta, dizendo que o acordo já tinha sido feito: “Não viemos negociar, pois já fizemos isso em diversas reuniões e até agora nada foi cumprido. Só saímos daqui com um termo de compromisso assinado pelo secretário de que vai cumprir as demandas já acordadas”, disse o coordenador do MNCR, Fagner Jandrey.

 

Os representantes do poder público se retiraram, assim como a Brigada Militar, com a tática de “deixar os catadores gritando sozinhos”, como divulgaram na mídia comercial. Porém, no inicio da tarde, os secretários tentaram novo acordo, se negando a assinar o termo. Os catadores mantiveram a decisão não só sair com o acordo. A prefeitura chegou a ameaçar uma reintegração de posse, e Coronel Alves ainda pronunciou em alto e bom som: “A partir de agora, vamos agir nos rigores da lei”. Uma catadora indignada ainda respondeu: “Então tem que prender o prefeito que não está cumprindo a Lei”. Firmes no propósito da Luta, os catadores não se intimidaram e permaneceram entoando cantos populares e gritos de ordem, até que um proprietário de imóveis surgiu com uma proposta de aluguel de um prédio. Os catadores contataram o secretário Clero e foram ao encontro dele para uma reunião, com a presença de companheiros de outros movimentos e sindicatos. No fim das contas, clero que resistiu firmar qualquer compromisso no papel, acabou assinando uma ata se comprometendo a alugar o prédio e regularizar a destinação da coleta seletiva aos catadores organizados no prazo de 30 dias. “Assim, retiramos o pedido de reintegração de posse”, declarou Clero, que de qualquer forma acabou firmando compromisso com o MNCR, garantindo a vitória do povo.

 

Depois de muita peleia, os catadores encerraram a ocupação com mais uma conquista, fruto da união e solidariedade entre o povo pobre. Assim como em 1º de maio de 1886, onde os trabalhadores lutaram e conquistaram juntos, continua na memória popular a dignidade rebelde e a disposição para a luta. Não ta morto quem peleia!

 

Apoiaram o ato a Resistência Popular e militantes sindicais.

 

Melissa Braga, jornalista


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