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MNCR durante o Fórum Social Mundial, Belém-PA

por mncr — última modificação 28/03/2011 15h23
Catadores(as) realizam palestras

Nós do MNCR, participamos do FSM, que ocorreu em Belém-Pará- Brasil onde realizamos algumas oficinas. Com a participação de alguns catadores e catadoras representantes do MNCR em nível de Brasil e a participação de vários colaboradores dos catadores no Brasil e América Latina.

Com a participação de mais de 300 pessoas nas oficinas, nós do MNCR pudemos falar e expor nossa realidade enquanto catadores organizados, além das dificuldades e conquistas que temos enquanto organização, começamos falando sobre a formação do MNCR a partir do 1° Congresso Nacional, que ocorreu em 2001, em Brasília, dos encontros Latino-americanos e do Encontro Mundial, este realizado no ano passado, na cidade de Bogotá, na Colômbia.

fsm-mncr2Observamos o grande momento de transformação que esta abalando a organização dos catadores, momento em que vivemos uma crise capitalista mundial, na qual as grandes empresas "lixeiras" estão avançando de forma violenta para cima dos catadores, deixando vários companheiros sem trabalho. Os governos por sua vez, acabam ou concordando com esta política, ou sendo muito lentos para tentar reconhecer o trabalho importante que fazemos. Como exemplo, falamos sobre o projeto dos postos de trabalho, no qual apresentamos a proposta ao Governo do Brasil, de organizar 40 mil catadores, o qual foi aceito pelo governo, mas que até agora, anos depois, nada de concreto foi feito, e nenhuma política mais enérgica esta sendo feita para solucionar o problema.

Sobre o decreto federal, que obriga os órgãos públicos a destinarem os materiais recicláveis

fsm-mncràs organizações de catadores, esta andando muito pouco, pois a maioria dos órgãos públicos nem sabem desse decreto, ou simplesmente não o esta cumprindo, e os órgãos fiscalizadores não estão fazendo nada para que mude esta realidade.

Em outra oficina, falamos sobre o meio ambiente, apresentando uma proposta a qual foi aceita pelos presentes, que é a de reconhecer e valorizar os catadores pelo trabalho social que fazemos, além de cumprir sua parte em defesa direta da natureza, contribui economicamente para o país, pois aquilo que já teve sua vida útil, ao invés de ser um transtorno, vira a fonte de vida de mais de milhões de pessoas no Brasil, além de suas famílias e seus dependentes no ciclo da cadeia produtiva dos materiais recicláveis.

A parte em que os governos mais gastam é na coleta dos materiais, sendo que nós catadores catamos, coletamos  mais de 10 vezes o que as prefeituras ou empresas coletam, sendo assim, nosso trabalho é viável economicamente. Para acontecer à valorização do trabalho, conseguimos fazer com que se criassem a lei em que os municípios podem contratar as associações e ou cooperativas de catadores para a realização da coleta seletiva.

Por fim e não tão menos importantes, concluímos que temos que ser mais agressivos e mais enérgicos quanto à separação do lixo na sociedade, pois sabemos da grande importância que isso nos traz quanto a nosso trabalho e ao nosso meio ambiente. A natureza é de todos, não pertence a ninguém, então devemos fazer a nossa parte e fazer com que a sociedade mundial, cumpra a sua parte.

“Catador organizado

o Lixo é reciclado!”

 Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR

 

Apontamentos levantados durante as oficinas do MNCR no Fórum Social Mundial

 

Com Relação aos catadores:

  • Buscar a organização plena dos catadores, de forma protagonista fazendo a categoria crescer organicamente, politicamente e socialmente para isso buscando parcerias que respeitem e acreditem nos princípios do MNCR.
  • Organizar-se na luta pelos seus direitos junto aos poderes públicos, buscando tecnologias viáveis, estrutura dignas para melhor execução do trabalho, subsídios públicos para reconhecer e valorizar os catadores.
  • Fazer com que sejam reconhecidos como cidadãos trabalhadores, sem exclusão e preconceitos em relação a sua aparência ou ferramenta de trabalho, trabalhando para a unidade da categoria em geral e lutando pela integração com toda a classe trabalhadora, com independência de classe, com relação aos patrão e aos partidos político, fazendo da ação direta sua principal ferramenta política.

 

Durante a oficina, foi visto que os catadores são os que mais trabalham no ciclo da cadeia produtiva dos materiais recicláveis, e como todo o brasileiro, quem mais trabalha, também é o que menos ganha. Vimos também, que quem mais ganha neste ciclo, são as empresas privadas e seus “padrinhos políticos”, fazendo com que se torne cada vez mais caro a realização da coleta seletiva realizada pelas empreiteiras.

Os catadores estão cada vez mais sendo excluídos, vendo que hoje, estão sendo retirados das ruas e lixões, sendo estes os lugares que foram empurrados a anos atrás por este sistema e esta sociedade que só concentra riqueza.  Para ser-mos reconhecidos, temos que dar a volta por cima, em cada canto deste Brasil os catadores devem estar organizados, unidos e fortes, para que a partir desta unidade consigam o seu verdadeiro reconhecimento, fazendo com que quem mais ganhe seja a natureza e o meio ambiente, muito discutido atualmente pela sociedade, mas ao mesmo tempo muito mais atacado e mais desmatado pela empresas e as elites, trazendo a tona os verdadeiros defeitos deste sistema.

Tendo em vista isto como horizonte, os catadores do MNCR já começaram a fazer sua parte, depois de se organizar nacionalmente, buscaram se organizar em toda a América latina, criando a Rede Latinoamericana dos catadores, para discutir e aplicar políticas que venha de encontro aos apontamentos aqui tirados. O MNCR contribuiu na criação da lei que faz com que as prefeituras contratem as associações e cooperativas de catadores para a realização da coleta seletiva, levando em consideração que para este contrato, não necessita nem de licitação. A criação do decreto que obriga os órgãos públicos federais a destinarem os materiais recicláveis as organização de catadores.

Os apontamentos aqui tirados não são fáceis, mas para nós catadores, nada é fácil, por isso que a cada conquista, ficamos cada vez mais forte, e a cada conquista nos torna cada vez mais único. Companheiros, vamos a luta!

Fórum Social Mundial - Belém 2009

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