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Catadores do Alto Tietê na luta contra a incineração

por mncr — última modificação 18/03/2011 16h31
“Estamos mobilizados e vamos fazer barulho”

Catadores da região do Alto Tietê participaram ontem, dia 14, do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê, evento organizado com o único objetivo de promover a incineração de resíduos na região e preparar a população para receber equipamentos de incineração.

Documentos e manifestos do MNCR foram distribuídos aos participantes na tentativa de esclarecer as reais intenções daquele evento.  Os catadores tomaram a palavra para expressar seu desacordo com a incineração. “Estamos mobilizados e vamos fazer barulho” declarou Wilson Secario, representante do MNCR na região.

Segundo o Secretário da Amat (Associação dos Municípios do Alto Tietê), Pedro Campos Fernandes, já é certo a compra de dois equipamentos de incineração para o Alto Tietê.  Os municípios estão em vias de formalizar um consócio da região e já há verba para a compra dos equipamentos.

Os catadores saíram do evento com a convicção de que é preciso, mais do que nunca, lutar por um sistema de gestão de resíduos que seja inclusivo, ou terão seu pão de cada dia virando cinzas.

 

Carta aberta a sociedade organizado do Alto Tietê

Alto Tietê, 11 de Dezembro de 2009

 

Companheiros e companheiras,

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) por meio de seu Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê vem a publico manifestar a sociedade, em especial as organizações populares do Alto Tietê, sua posição com relação a instalação de incineradores de resíduos e a queimar de materiais recicláveis como forma de destinação final do lixo.

Há alguns meses temos percebido a articulação de empresas multinacional do setor de incineração fomentando lobbys junto ao poder público para venda de equipamentos de incineração do lixo na America Latina. Esses projetos têm sido colocados a população desinformado sob termos de publicidade pouco conhecidos como pirolise, gasificação, “reciclagem energética”,  no entanto são apenas sinônimos para a prática de queima do lixo.  O argumento para implantação desse sistema é que com a queima do lixo é possível produzir energia elétrica e com isso dar uma solução definitiva a problemática do lixo nas cidades.

O MNCR é contrario a prática de incineração e luta, junto com diversas entidades ambientalistas, contra essa prática no Brasil. A queima do lixo é prejudicial a saúde humana e ao meio ambiente por gerar gases  furanos e dioxinas que causam câncer.  A queima do lixo para gerar energia, por outro lado, tirará o sustento de milhares de catadores de materiais recicláveis, pois para combustão do lixo orgânico é necessário também queimar os resíduos recicláveis como o plástico.

A realização do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê é uma iniciativa para promoção da incineração e para preparar a população de nossa região para receber um incinerador. Já há planejamento do Governo Estadual para implantação de uma usina na região do Alto Tietê, os estudos e negociação já seguem avançados. Em outras regiões esses eventos também estão sendo organizado com o mesmo objetivo, como pode ser verificado nos materiais em anexo.  Um dos documentos difundidos no pré-fórum diz: “Atentos aos problemas acima, os países desenvolvidos já abandonaram a técnica de aterramento, optando pela incineração e últimamente utilizando o RSU como fonte para a geração de energia Termoelétrica, minimizando os impáctos atmosféricos e geoambientais.” http://www.luzdolixo.com.br/prf_temp.php No entanto, tivemos informações de nossa delegação presente na COP 15 que um número grande de equipamentos foram proibidos de serem instalados na Europa, por isso essas empresas (Alemãs e Francesas) tem oferecido esses serviços na America Latina.

No site do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê podemos verificar o envolvimento de empresas de incineração como Luftech Soluções Ambientais, entre outras integradas à prática de incineração de resíduos. Os eventos de promoção da incineração têm recebido dinheiro dessas empresas para compra de brindes, entre outros gastos.

A geração de energia por meio da queima do lixo é uma prática condenada e por dezenas que entidades ambientalistas em todo o mundo por gerar risco a saúde humana a longo prazo. Ver estudo do Green Peace. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/sumario_exec_health.pdf O custo de implantação de um incinerador para geração de energia é altíssimo, cerca de 13 mil reais por kW. Com já mencionamos, para criar combustão dos resíduos orgânicos, cerca de 60% do lixo, é preciso haver resíduos inflamáveis (plástico e papel) durante a incineração. Significa queimar materiais prima que pode ser reciclada e que economiza matéria prima virgem, e sobre tudo energia.  

Por fim, defendemos a adoção da coleta seletiva com inclusão social dos catadores de materiais recicláveis por meio da contratação de suas cooperativas e associações como meio correto, eficiente a sustentável de tratamento dos resíduos sólidos no Alto Tietê, associada a outras formas de tratamento de resíduos com mesmo impacto no meio ambiente. Lutaremos pela implantação desse sistema para que possa atender adequadamente toda a população do Alto Tietê gerando trabalho e renda para milhares de catadores que atuam na região.

Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê – MNCR

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR

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