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Lei resultará em mais exclusão, diz representante dos catadores

por mncr — última modificação 18/03/2011 12h41

Não mais do que 10% dos cerca de 14 mil catadores que atuam em Porto Alegre atualmente serão incluídos no mercado de trabalho após não poderem mais utilizar as carroças e os carrinhos. A opinião desabonadora em relação ao que pretende a prefeitura é do coordenador do Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável (MNCR) em Porto Alegre, Alexandre Cardoso.

"A lei não reconhece o nosso trabalho. Institui um tempo para a nossa retirada das ruas, mas não faz o mesmo para a capacitação e inserção no mercado", diz Cardoso. Segundo ele, durante a execução das obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014, haverá ocupação, mas depois não. Para ele, a tese de que a desorganização dos catadores resulta em prejuízo financeiro não é verdadeira. "Trabalhando individualmente, os catadores criam um conjunto de normas próprias. Parece desorganizado, mas não é. A população sabe os horários em que os catadores passam. Há uma rotina organizada de trabalho", diz.

Conforme o coordenador do MNCR, cada carroceiro coleta de 300 a 350 quilos de material por dia, totalizando, em média, 200 toneladas diárias na cidade. Para ele, a lei ocasionará mais despesas para o município. "A prefeitura gasta R$ 480 mil para coletar 100 toneladas ao dia. Quando os catadores deixarem de atuar, o município terá seus gastos triplicados", observa.

Ele destaca o fato de a representação dos trabalhadores ter sido chamada para dialogar com a prefeitura em apenas uma ocasião. Um dos pontos que mais preocupa o movimento é o que envolve os catadores idosos. "As pessoas não sabem fazer outra coisa. Elas estão assustadas, não têm noção de como farão para sustentar suas famílias. Os mais idosos não conseguirão trabalho. É a vida deles. É isso que eles fazem agora. Como vão sobreviver?", questiona.

Cardoso tem 29 anos e faz parte da terceira geração de trabalhadores na área. Segundo ele, para que o catador deixasse de usar a carroça ou o carrinho, deveria haver a garantia de uma outra ocupação. "Isso poderia estar na lei, foi votado e reprovado na Câmara", afirma. Para ele, a legislação desconsidera que os catadores são "uma minoria".

Fonte: Jornal do Comércio

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