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Movimentos sociais cobram promessas do Governo Federal

por mncr — última modificação 06/01/2009 10h54
MNCR e MNPR denunciaram prefeitura por repressão e fizeram reivindicações
Movimentos sociais cobram promessas do Governo Federal

Matilde Ramos cobra realização dos postos de trabalho

O MNCR participou na tarde desta terça-feira (23) de celebração de Natal organizada pela Pastoral da População de Rua, evento realizado na quadra do Sindicato dos Bancários, centro de São Paulo que contou com a presença do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e autoridades.

Os dois movimentos aproveitaram a presença do chefe de Estado para denunciar maus-tratos à população de ruas e aos catadores, por parte da prefeitura de São Paulo, bem como reivindicações de direitos conquistados, porém, ainda não concedidos.  

Falando em nome do MNCR, a catadora Matilde Ramos da Silva fez algumas reivindicações, como a concretização de acordos já feitos com o Governo, mas que até hoje não foram cumpridos. Cobrou ainda que os recursos federais sejam repassados diretamente às cooperativas e não por meio das prefeituras, que possuem muita burocracia e no geral não aplicam os recursos de forma transparente.

“Este ano foi muito dificultoso para nós, principalmente no interior. Peço às pessoas que representam o governo que, a partir de janeiro, nós consigamos concretizar o que foi acordado. O posicionamento do MNCR é que, na verdade, tudo que conquistamos no governo venha para as cooperativas e não pelas prefeituras. Que os recursos venham para os catadores”, salientou a catadora.

Sob o ritmo de uma orquestra formada por catadores e moradores de rua, foram apresentadas peças teatrais, cujos temas remetiam à situação de escravidão do povo humilde ao longo dos tempos, bem como sua eterna luta pela liberdade. A programação incluiu dança e músicas relacionadas aos catadores e ao povo da rua.

 

natal

Maus-tratos ao povo de rua 

Por sua vez, o membro do MNPR, Anderson Lopes, disse a Lula que, não poderia deixar de denunciar a violência contra eles no País, além dos maus-tratos por parte da prefeitura de São Paulo, dentro de sua política higienista.

“Há anos nós temos esse encontro com o senhor e viemos trazer uma tristeza: o genocídio da população de rua do nosso país. Nesta cidade onde o senhor está pisando, na calada da madrugada, a prefeitura de São Paulo manda desligar a luz da área central e o carro-pipa joga água no povo da rua, o qual tem que sair correndo. Ou pega as cobertas, ou pega os documentos. E vem a Guarda Civil Metropolitana com cassetete e spray de pimenta no povo da rua e nos catadores”, disse indignado.

“São Paulo é uma cidade que expulsa a população de rua e os catadores. Manda bater e depois quer ter um encontro com o presidente Lula em Brasília, onde pede dinheiro para expulsar o povo da rua e os catadores”, completou. Ele também pediu que o governo cobrasse mais agilidade para a evolução dos assuntos já acordados em prol do povo de rua e dos catadores.

De opinião semelhante, o catador Roberto Laureano da Rocha, membro da Comissão Nacional do MNCR, se mostrou indignado com a situação. Rocha lembrou que, inclusive, a lei de saneamento ambiental já garante a contratação dos catadores para prestação de serviços na cidade. “Isso é importante, que os catadores possam ser contratados pela prestação de serviços nos municípios”, finalizou.


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