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MANIFESTO “PIMP MY CARROÇA”

por mncr — publicado 06/06/2012 15h24, última modificação 06/06/2012 15h24
Carroceata percorre ruas de São Paulo

Se São Paulo ainda não se afogou em seus próprios resíduos urbanos recicláveis, é porque há um trabalho quase invisível de cerca de 16 mil pessoas que sobrevivem honestamente da coleta de materiais recicláveiscom suas carroças. E, se existem tantos cidadãos trabalhando nessas condições precárias é porque ainda faltam oportunidades e sobra o descaso do Poder Público com os resíduos sólidos que produzimos.

Hoje na maior cidade da América Latina, São Paulo, são geradas 18 mil toneladas de resíduos diariamente e, segundo dados oficiais, somente 1,2% encaminhado para a reciclagem, ou seja, um dado vergonhoso para uma cidade tão desenvolvida e com tantos recursos disponíveis para investimento em Coleta Seletiva.

Já passou da hora de reciclar esses contratos bilionários e viciados de limpeza urbana que são bancados pelos altos impostos pagos por cada cidadão paulistano, que produz em média 1,3 quilos de resíduos sólidos por dia, e que quer sim ter seu resíduo domiciliar coletado e destinado da forma mais eficiente.

O “lixo” vai continuar sendo um problema, enquanto ele for encarado pela população e pelas autoridades como tal. Acreditamos que ele, separado e utilizado corretamente, é a solução pra muitas questões sociais e ambientais. Basta ver as milhares de famílias de catadores que se sustentam a mais de meio século dos resíduos e imaginar o quanto já contribuíram com a manutenção dos recursos naturais e limpeza da cidade.

Não acreditamos que a carroça e a tração humana sejam formas adequadas para a coleta e muito menos a solução. Mas não podemos ignorar a sua existência e o importante serviço que prestam às indústrias, prefeitura e comunidade, sendo inconstitucional proibir a circulação das mesmas enquanto não existir mais áreas, estruturas e equipamentos adequados para um sistema de coleta seletiva eficiente que envolva prioritariamente os milhares de catadores.

É com arte, cultura e humor, que o Pimp My Carroça, uma ação colaborativa, independente e financiada coletivamente na internet, aproxima a população da realidade dos catadores.

Desse modo, manifestamos: .

- O reconhecimento do catador como um agente fundamental na coleta seletiva municipal, colaborando para limpeza pública e conservação do meio ambiente;

- A ampliação, com urgência, do Programa de Coleta Seletiva Municipal, através da inclusão de novas organizações de catadores, estruturas adequadas para a gestão de resíduos e melhores condições de trabalho;

- A implantação imediata de ao menos uma central de triagem em cada uma das subprefeituras da cidade;

- A garantia da liberdade de circulação. O direito à cidade a todos os catadores!

- A integração de estratégias para o setor que sejam focadas em políticas de desenvolvimento humano e social para que os catadores se tornem protagonistas do planejamento e gerenciamento de seus próprios negócios;

- A contratação e remuneração justa dos catadores pelos serviços prestados, elevando a viabilidade e afastando os efeitos da sazonalidade de preços de venda, garantindo melhores níveis de renda aos trabalhadores;

- O investimento em programas de educação ambiental, que estimulem a separação na fonte e a doação dos resíduos para os catadores, engajando a população na gestão de resíduos de nossa cidade e incentivando a adoção de novas práticas de consumo e descarte.

- A participação efetiva dos catadores na elaboração do Plano Municipal de Resíduos Sólidos, assim como de toda a sociedade civil e a discussão do tema por todas as secretarias municipais cabíveis, e não só a Secretaria de Serviços.

Enquanto a sustentabilidade for discurso e não prática, continuaremos a vivenciar falsas campanhas e estratégias, que remanejam recursos do setor de resíduos sólidos para políticas de fachada e que não geram resultados efetivos de redução da produção de resíduos e de inclusão e justa remuneração dos catadores de materiais recicláveis.

Hoje, 03 de Junho de 2012, Semana do Meio Ambiente, mês da Rio+20 e ano de eleições municipais, fomos as ruas e mostramos que os catadores existem e não estão mais sozinhos nessa luta!


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