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Declaração do 2º Congresso Estadual do RJ

por mncr — última modificação 18/05/2011 12h21
Carta dos catadores do MNCR - RJ

CARTA DO RIO II

 

Ao final do 2º Congresso do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, base do Estado do Rio de Janeiro, os catadores organizados, declararam:

 

À sociedade e ao Poder Públicas as seguintes propostas:

 

1. Garantir áreas públicas dos Municípios, do Estado e da União para as organizações de Catadores(as) com a concessão dos terrenos de longo prazo e documentada;

2. Garantir autonomia e autogestão das organizações de catadores (as) no Estado do Rio de Janeiro;

3. Repúdio ao processo de implantação da incineração em nosso país, pois esse método é Extremamente agressivo ao meio ambiente e exclui o trabalho dos catadores (as);

4. O cumprimento das Políticas Públicas que beneficiam os Catadores de Materiais

Recicláveis, tais como, Lei Estadual 3369/2000 – Estabelece Normas para a Destinação Final das Garrafas Plásticas, o Decreto Federal 5.940/2006 - Coleta Seletiva Solidária, o Decreto Estadual 40645/2007 que determina a Coleta Seletiva Solidária nos órgãos Estaduais e a Lei 4191/2003 – Dispõe Sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos;

5. Instituir a Política Municipal e Estadual de resíduos sólidos com participação dos Catadores(as), com o princípio da gestão compartilhada;

6. O cumprimento da lei 11.445/07 que estabelece a dispensa de licitação para a efetivação de relação contratual com as cooperativas/associações, para remunerar por tonelada o serviço de coleta; tratamento e destino final, prestado pelas organizações de catadores (as);

7. Incluir os catadores (as) nas discussões e decisões sobre a questão dos resíduos sólidos e Coleta seletiva nos Municípios e no Estado, por meio de sua participação em Conselhos,Comissões (Comitês) intersecretariais para inclusão social dos catadores (as) ou ainda pela Fóruns Lixo e Cidadania regional e ou municipais que devem ser valorizados e estimulados;

8. Promover e efetivar a Capacitação Continuada para os Gestores Públicos quanto aos princípios e bases de Acordo com MNCR;

9. Promover e efetivar a Capacitação Continuada aos Catadores na perspectiva do

Cooperativismo popular e da economia solidária;

10. Apoiar as cooperativas/associações na regularização dos documentos e acesso aos recursos e financiamento;

11. Divulgar os princípios e as bases de acordo com MNCR em todos os ambientes que há participação dos catadores;

12. Tributação diferenciada para as cooperativas de economia solidária;

13. Implantação de outras políticas públicas que atenda as necessidades dos catadores (as) tais como, moradia, saúde, educação, esporte, cultura e lazer etc.

14. Maior atenção para os catadores de Gramacho, em função da atividade de vazamento no Aterro estar acabando bem como para aqueles que ainda estão nos lixões;

15. Garantia de priorizar os catadores históricos no processo de acesso aos benefícios das Políticas públicas, evitando assim que sejam confundidos com desempregados, de um modo geral;

16. Incentivo financeiro para compra de Caminhões, Maquinário, IPI e Construção de Galpões;

17. Criação de um sistema 0800 “Disque-denúncia Cooper gatos”, no sentido de garantir o trabalho dos catadores em cooperativas de forma verdadeira e dentro dos princípios do Cooperativismo;

18. Incentivo a criação de micro créditos para cooperativas de catadores;

19. Utilização de espaços públicos abandonados para implantação de cooperativas de catadores em parceria com SPU - Secretaria de Patrimônio da União;

20. Realização de um diagnóstico real da situação dos catadores de lixão, de rua, de

Cooperativas e associações; e também da população em situação de rua que também utiliza a catação como forma de sobrevivência, a fim de garantir melhor identificação das demandas e, conseqüentemente, a estruturação de propostas de garantia de trabalho e renda para os segmentos a serem atingidos;

21. Isenção de ICMS e outros Impostos;

22. Previdência e Aposentadoria especial para os Catadores;

23. Inclusão dos Catadores no Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal e operado pela Caixa Econômica Federal.

 

Às suas organizações:

1. Intensificar a organização e a representatividade do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis nas diversas Bases e Comitês Regionais do Estado do Rio de Janeiro;

2. Fortalecer a organização dos Comitês Regionais e das lideranças dos catadores e no sentido de evitar que qualquer pessoa sem relação direta com a causa tome a frente do processo, se intitulando catador;

3. Aumentar a mobilização estadual dos catadores, visando atingir o âmbito Federal, a fim de sensibilizar as autoridades para promover uma revisão da legislação cooperativista, buscando simplificar o processo de legalização, assim como menos tributação para as Cooperativas de catadores;

4. Criar redes de comercialização das organizações de catadores no Rio de Janeiro para garantir melhor valorização e comercialização do material;

5. Os Catadores e Catadoras são os representantes legítimos da Cooperativa/Associação e não os técnicos. Relação de dependência com o apoio técnico enfraquece a organização e tira a legitimidade e a autogestão do Catador (a);

6. Os Comitês devem apoiar e garantir que nas organizações de catadores (as) não exista relação de patrão e empregado.

7. Ampliar a representação da Coordenação Estadual, por meio da formação de novos Comitês;

8. Enviar esta declaração para todas as Prefeituras e Governo Estadual;

9. Promover ou participar de encontros com todos os candidatos (as) ao Governo do Estado, a Assembléia Legislativa e ao Congresso Federal para garantir o compromisso dos (as) Mesmos(as) com a implantação de políticas de Estado para os resíduos sólidos, com Inclusão social dos catadores(as);

10. Manter a comunicação com a sociedade para conscientizar sobre a separação dos materiais Recicláveis nas residências;

11. Manter a união entre os catadores (as), e a integração entre as organizações de catadores(as);

12. As parcerias com as organizações de catadores (as) precisam ser realizadas com instituições  diversas e com a sociedade e não apenas com o Poder Público;

13. Promover a articulação com as Secretarias Municipais e Estaduais da Educação, para visitar as escolas e realizar palestras sobre conscientização ambiental;

14. Desenvolver atividades diversas nas comunidades para fomentar a coleta seletiva.

 

 

Rio de Janeiro, 25 de julho de 2010

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