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Catadores participam de debate sobre cadeia de reciclagem

por mncr — última modificação 07/11/2008 17h05
Lucro da indústria ainda é muito desproporcional ao dos catadores
Catadores participam de debate sobre cadeia de reciclagem

Rocha, Fergutz, Maria e Torres: evento discutiu os desafios e as oportunidades da cadeia de reciclagem

Um debate entre empresários, instituições e representantes do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) permitiu uma ampla discussão sobre os novos rumos a serem tomados na relação entre as empresas e as cooperativas de catadores de materiais recicláveis, levando-se em conta o respeito dos atores à questão sócio-ambiental.

Realizado nas dependências do Banco Real, em São Paulo, o evento, intitulado Desafios e Oportunidades da Cadeia de Reciclagem, também serviu para a apresentação e avaliação do “Programa Investimento Reciclável” que prioriza o apoio financeiro e cursos de formação para a profissionalização de catadores de material reciclável da Grande São Paulo, uma parceria entre o Banco Real, a Fundação Avina e a Suzano Papel e Celulose, sob a coordenação do Instituto Ecofuturo.

A mesa de debate teve a participação de Roberto Laureano da Rocha, do MNCR; Oscar Fergutz, da Fundação Avina e Maria Botelho, da empresa Frompet, com mediação de Marcelo Torres, do Banco Real.

Junto aos presentes, eles falaram sobre a importância do programa e discutiram a possibilidade de uma política melhor entre a rede de catadores e o mercado comum, onde se possa negociar de igual para igual, com infra-estrutura das organizações de catadores de materiais recicláveis e a necessidade de total inclusão da classe na cadeia produtiva.

Dentre as várias posições sugeridas no encontro, Fergutz ressaltou que as cooperativas devem vencer desafios para entrarem mais fortes como agentes econômicos na cadeia produtiva, bem como a necessidade de se criar condições para que o trabalho em conjunto com as organizações tenha acesso aos instrumentos de gestão, para que a rede funcione de verdade. Entre essas vertentes está a necessidade do capital de giro, trabalho coletivo e o investimento em novas tecnologias.

Como representante da empresa Frompet, Maria Botelho apontou que a reciclagem tem que ter escala para gerar ganho de ambas as partes. Ela acredita que as cooperativas sejam o caminho, onde se valoriza a questão social e conseqüentemente, a questão econômica. “Na visão da Frompet, nós temos a nítida impressão de que acreditamos neste trabalho.

Em resposta a uma questão levantada por um dos participantes, Roberto Rocha, do MNCR, disse que, para garantir a escala e a qualidade do material, seria ideal o modelo de grandes centrais de triagem, abastecidas por várias cooperativas.

“A visão de futuro é que as cooperativas se organizem em redes. Para conseguir escala de qualidade, você precisa também de tecnologia e equipamentos que dão essa qualidade. Isso numa cooperativa só não dá. Então você consegue uma central de cooperativas, coloca todo o material ali, padroniza, coloca equipamentos sofisticados para isso e manda para a indústria”, salientou.

Entretanto, Rocha alertou sobre o limite de material imposto por algumas indústrias na hora da transação comercial.  “Eu acho que não dá para a indústria ficar ‘passando mel’ na nossa boca e depois não segurar a onda. Temos esse problema. Algumas indústrias acabam limitando para nós a quantidade de material que temos que entregar”, ressaltou.

O catador Eduardo Ferreira de Paula disse que, com a crise vigente, muitas indústrias quebram e as cooperativas passam dificuldades, gerando atritos de gestão interna. Os catadores presentes ao evento lembraram que a parceria com a grande indústria tem que ser revista, pois ela não pode limitar a compra de material das cooperativas, pois, dessa forma, os catadores é quem pagam o preço.

Comprando das cooperativas, as indústrias executam um papel de responsabilidade sócio-ambiental, dado ao valor de geração de trabalho e renda aos catadores, bem como a questão ambiental. Porém, foi salientado que os catadores não devem ser vistos como agentes de projetos assistencialistas e sim como negociadores em potencial com poder de negociação na venda de seus produtos.

A visão dos empresários é que, apesar da importância da questão sócio-ambiental, se as cooperativas quiserem entrar no mundo dos negócios, têm que se sujeitar às oscilações do mercado, ou seja, devem estar preparadas para ganhar ou perder.

Sugeriu que as companhias criem espaço para diálogo e, dessa forma, entender melhor o mundo dos catadores, onde possam comprar dos catadores e não dos exploradores.

 

Fomento à indústria de reciclagem

O Programa Investimento Reciclável prioriza o apoio financeiro e a capacitação para a profissionalização do setor. Parte disso será utilizada para a aquisição de equipamentos ou capital de giro.

Os recursos são reembolsáveis e devem ser devolvidos ao fundo em até 24 meses, com três meses de carência e correção monetária. As condições não implicam juros sobre as parcelas a restituir, sendo, portanto, mais atrativas do que aquelas encontradas no sistema financeiro tradicional.

Para acompanhar o desenvolvimento das cooperativas incluídas na iniciativa, foi criado um comitê gestor composto por seis profissionais; quatro representando sua respectiva organização e outros dois ligados a movimentos formais de catadores.

A proposta não é filantrópica e permitirá que os cooperados adquiram confiança na sua capacidade de gestão.  A ação visa incluir as cooperativas no sistema financeiro e fomentar a cadeia produtiva da indústria da reciclagem, que pode desenvolver todo o seu potencial de gerar resultados econômicos, ambientais e sociais sustentáveis.

 

Setor de Comunicação do MNCR


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